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Roche chega a 2026 com pipeline robusto, mas sinais de alerta em Vabysmo e Tecentriq

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A Roche projeta um 2026 intenso, impulsionado pela entrada de 10 novas moléculas em fase final de testes no último ano e pela proximidade do possível lançamento do giredestrant, candidato promissor para o tratamento do câncer de mama. O desempenho vem após um relatório financeiro sólido, com crescimento anual de 9% nas vendas da divisão farmacêutica a taxas de câmbio constantes.

Apesar do bom resultado geral, o medicamento oftalmológico Vabysmo apresentou desempenho abaixo das expectativas. Em 2025, o fármaco alcançou vendas de US$ 5,3 bilhões, tornando-se o terceiro produto mais vendido da Roche, mesmo tendo sido aprovado pela FDA apenas em 2022. Ainda assim, a receita do quarto trimestre ficou 8% abaixo das projeções dos analistas, segundo a Jefferies.

A desaceleração foi atribuída à retração do mercado norte-americano de medicamentos anti-VEGF de marca, usada no tratamento de doenças como a degeneração macular relacionada à idade (DMRI) úmida. Segundo a diretora farmacêutica da Roche, Teresa Graham, o fechamento de fundações de copagamento levou mais pacientes a migrarem para Avastin e biossimilares. Como resultado, o mercado de injeções intravítreas de marca nos EUA encolheu cerca de 15% em 2025.

Mesmo nesse cenário, a Roche afirma que o Vabysmo continuou ganhando participação de mercado, com mais de 60% dos novos pacientes nos EUA sendo indivíduos sem tratamento prévio. A companhia espera que o crescimento do medicamento acelere em 2026, sustentado por lançamentos fora dos EUA e pela recuperação gradual do mercado americano.

No entanto, a concorrência tende a se intensificar, especialmente com o avanço do Axpaxli, da Ocular Therapeutix, que promete intervalos de dosagem mais longos. A Roche aposta no perfil de segurança consolidado do Vabysmo como diferencial competitivo, destacando a importância da segurança a longo prazo em terapias intraoculares.

No campo da oncologia, a Roche enfrentou um revés com o cancelamento do estudo de fase 3 IMpower030, que avaliava o Tecentriq como tratamento perioperatório para câncer de pulmão de não pequenas células em estágio inicial. O estudo não atingiu o desfecho primário de sobrevida livre de eventos na população geral, embora tenha mostrado benefício em subgrupos específicos.

Ainda assim, o Tecentriq registrou crescimento em 2025, com vendas próximas a US$ 4,6 bilhões. O portfólio de oncologia da Roche avançou 2% no ano, impulsionado principalmente pela linha HER2, embora a empresa preveja que esse segmento atinja seu pico em 2026 devido à concorrência e à pressão de biossimilares.

O foco estratégico da companhia começa a migrar para o giredestrant, um SERD oral que pode redefinir o tratamento do câncer de mama HR-positivo. A Roche já submeteu o pedido de aprovação do medicamento ao FDA para uso em segunda linha e planeja ampliar a solicitação para o cenário adjuvante ainda este ano.

Outro destaque aguardado para 2026 é a divulgação dos resultados do estudo FENhance 1, que avalia o fenebrutinibe no tratamento da esclerose múltipla recidivante. Apesar de preocupações recentes com inibidores de BTK concorrentes, a Roche reforça a confiança no perfil de segurança e benefício clínico de seu candidato.

No consolidado, as vendas do grupo Roche cresceram 7% em 2025, alcançando US$80,17 bilhões, dos quais 62,18 bilhões vieram da divisão farmacêutica.

Fonte: FiercePharma