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AstraZeneca e ex-executivo são indiciados na China por supostas irregularidades fiscais e de dados

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Promotores da China formalizaram acusações contra a AstraZeneca e dois de seus ex-executivos após investigações relacionadas à suposta coleta ilegal de dados de pacientes e à importação irregular de medicamentos no país.

De acordo com a companhia, o Ministério Público de Shenzhen indiciou uma subsidiária local da farmacêutica, além de um ex-vice-presidente executivo e outro ex-dirigente sênior. A empresa confirmou ao Financial Times que o executivo citado é Leon Wang, ex-presidente da AstraZeneca na China, detido em 2024 no âmbito das apurações.

As acusações incluem coleta ilegal de informações pessoais e comércio ilegal, conforme divulgado no relatório de resultados do quarto trimestre da empresa. Os dois ex-executivos também respondem a acusações adicionais de fraude contra planos de saúde.

Segundo a AstraZeneca, o caso foi consolidado em um único processo e ainda não há data definida para julgamento. As denúncias foram apresentadas em novembro de 2025, na esteira de investigações iniciadas em setembro de 2024, e antecederam um relevante anúncio de investimento da companhia no país.

No que se refere à suposta importação irregular, autoridades chinesas determinaram que a AstraZeneca Investment (China) Co., Ltd. teria deixado de recolher cerca de 24 milhões de yuans (aproximadamente US$ 3,5 milhões) em impostos ligados à entrada dos medicamentos oncológicos Imfinzi, Imjudo e Enhertu. A farmacêutica afirmou ter quitado integralmente o valor antecipadamente, mas alertou que poderá ser multada em até cinco vezes essa quantia caso seja considerada culpada. No caso da alegada coleta ilegal de dados, as autoridades não apontaram ganhos ilícitos por parte da empresa.

Este não é o primeiro episódio de repercussão envolvendo a AstraZeneca na China. Anteriormente, funcionários da companhia foram acusados de manipular resultados de testes genéticos para tornar pacientes com câncer de pulmão elegíveis ao tratamento com Tagrisso. O caso resultou na condenação de diversos colaboradores, alguns com penas superiores a dez anos de prisão, segundo a imprensa local.

Além de Leon Wang, as autoridades também detiveram Eva Yin, ex-chefe da divisão de oncologia da empresa na China. Paralelamente, executivos da Rightongene Biotechnology, parceira da AstraZeneca na área de diagnósticos, foram presos sob acusações de fraude.

As investigações trouxeram impactos operacionais para a farmacêutica no país, embora a China continue sendo seu maior mercado internacional, com vendas de US$ 5,5 bilhões em 2025, crescimento de 4% frente ao ano anterior, ritmo inferior aos aumentos de dois dígitos registrados anteriormente, em meio à maior concorrência de genéricos.

Entre os desafios comerciais, o antidiabético Farxiga deverá ser incluído no programa chinês de compras baseadas em volume no primeiro trimestre de 2026. Já Lynparza, desenvolvido em parceria com a Merck & Co., e o roxadustat passaram a enfrentar concorrência de versões genéricas no país.

Apesar do cenário adverso, a diretora internacional da AstraZeneca, Iskra Reic, que assumiu o cargo no fim de 2024, afirmou que lançamentos mais recentes devem sustentar o crescimento na China. Ela destacou a inclusão de Enhertu, Fasenra, Truqap e Calquence no sistema nacional de seguros do país.

Em paralelo aos processos judiciais, a empresa anunciou um plano de investir US$ 15 bilhões na China até 2030. Durante teleconferência de resultados, o CEO Pascal Soriot reforçou a importância estratégica do país, destacando a necessidade de colaborar, competir e aprender com as empresas chinesas, especialmente no campo de pesquisa e desenvolvimento, diante da crescente relevância da China na inovação farmacêutica global.

Fonte: FiercePharma