À medida que se aproxima o fim da patente do Keytruda, Merck reorganiza área de oncologia
Com a aproximação do vencimento da patente do Keytruda nos Estados Unidos, a Merck & Co. acelera sua preparação para o período pós-exclusividade do medicamento que se tornou seu maior sucesso em oncologia. Como parte dessa estratégia, a farmacêutica anunciou a reorganização de seu negócio de saúde humana em duas divisões independentes.
A partir de agora, a companhia contará com uma unidade dedicada exclusivamente à oncologia e outra voltada a especialidades farmacêuticas e doenças infecciosas. Segundo comunicado divulgado em 23 de fevereiro, a mudança busca fortalecer a execução comercial e sustentar o crescimento no longo prazo.
A nova divisão de oncologia será responsável por todo o portfólio atual e em desenvolvimento na área, incluindo o Keytruda, cuja receita atingiu US$ 31,7 bilhões no último ano, mais da metade das vendas farmacêuticas totais da empresa, que somaram US$ 58,1 bilhões em 2025. A Merck projeta que o medicamento alcance pico anual de US$ 35 bilhões em 2028, ano em que deve perder a exclusividade no mercado americano.
Já a divisão de especialidades farmacêuticas e doenças infecciosas reunirá produtos fora da oncologia, como o Winrevair, voltado à hipertensão arterial pulmonar, e o Januvia, tratamento para diabetes tipo 2. A nova unidade também ficará responsável pelo portfólio de vacinas da companhia.
De acordo com a Merck, a reestruturação reforça a ambição de manter liderança em oncologia, ao mesmo tempo em que consolida presença em áreas como cardiometabólica e doenças infecciosas. A estratégia ocorre em meio à expectativa de entrada de biossimilares do Keytruda após o fim da proteção patentária.
A reorganização também inclui mudanças na cúpula executiva. Jannie Oosthuizen, executivo de longa data da empresa, assumirá como vice-presidente executivo e presidente da nova divisão de oncologia, além de supervisionar os negócios internacionais. Ele ocupava anteriormente a presidência da divisão de saúde humana da Merck nos EUA.
Para comandar a unidade de especialidades farmacêuticas e doenças infecciosas, a empresa contratou Brian Foard, ex-executivo da Sanofi, onde liderava a área de cuidados especializados. Antes disso, Foard passou quase duas décadas na Galderma.
A Merck também nomeou Chirfi Guindo para o cargo de vice-presidente executivo de acesso estratégico, políticas e comunicações.
Apesar da forte dependência do Keytruda, a liderança da empresa demonstra confiança na diversificação do portfólio. Em teleconferência recente com analistas, o CEO Robert Davis afirmou que a companhia possui o conjunto de produtos mais amplo e diversificado dos últimos anos e projeta potencial de receita anual superior a US$ 70 bilhões até meados da próxima década.
A estratégia de expansão inclui novos motores de crescimento e ativos provenientes de aquisições recentes, como as biotechs Verona Pharma e Cidara Therapeutics.
Em 2025, a receita total da Merck, incluindo a divisão de saúde animal, que não faz parte da reorganização, cresceu 1%, alcançando US$ 65 bilhões.
Além do Keytruda, outros produtos vêm ganhando tração comercial. O medicamento oncológico Welireg registrou alta de 37% nas vendas no quarto trimestre, impulsionado pela expansão internacional. Já o Winrevair ultrapassou a marca de blockbuster, com US$ 1,4 bilhão em vendas no ano, após ter sido incorporado ao portfólio com a aquisição da Acceleron em 2021.
A decisão de segmentar operações não é inédita entre grandes farmacêuticas. A Novartis adotou modelo semelhante em 2016, após adquirir a divisão de oncologia da GSK. Mais recentemente, a Pfizer também reorganizou sua área de oncologia após a compra da Seagen, ampliando significativamente seu pipeline no segmento.
Com a proximidade do fim da exclusividade do Keytruda, o mercado acompanha de perto os próximos passos da Merck, que aposta na reorganização e na diversificação do portfólio para sustentar seu crescimento na próxima década.
Fonte: FiercePharma