Merck fornecerá Keytruda subcutâneo para estudo inovador da Exelixis em câncer colorretal
A Exelixis avançou em sua estratégia para o tratamento do câncer colorretal ao garantir o fornecimento do Keytruda subcutâneo, da Merck & Co., para um estudo clínico de fase 3 planejado pela companhia. O acordo completa o grupo de parceiros envolvidos no ensaio, que já contava com a participação da Natera no desenvolvimento da estratégia baseada em doença residual molecular (MRD).
A parceria com a Natera, anunciada em janeiro, prevê o uso do teste Signatera para identificar pacientes com câncer colorretal ressecado que apresentem sinais moleculares residuais da doença, mesmo sem evidências detectáveis em exames de imagem. A abordagem segue uma estratégia semelhante à utilizada anteriormente pela Roche em estudos que apoiaram a expansão do uso do Tecentriq em câncer de bexiga.
Na nova atualização, a Exelixis revelou que o inibidor de checkpoint imunológico escolhido para o estudo será o Keytruda Qlex, versão subcutânea do blockbuster anti-PD-1 da Merck. As empresas já colaboram em outro estudo de fase 3 voltado ao câncer de cabeça e pescoço, firmado em 2024.
O estudo avaliará o uso do zanzalintinibe, inibidor multialvo de tirosina-quinase da Exelixis, isoladamente ou em combinação com o Keytruda, em pacientes com doença residual molecular positiva após cirurgia. Segundo o CEO da companhia, Michael Morrissey, a decisão de avançar para esse cenário clínico foi sustentada pelos resultados observados anteriormente em câncer colorretal metastático.
A Exelixis já solicitou à FDA a aprovação da combinação entre zanzalintinibe e Tecentriq para pacientes previamente tratados com câncer colorretal metastático, com decisão regulatória prevista para dezembro. Para a empresa, os dados positivos nesse contexto reforçam a hipótese de que a combinação também possa ser eficaz contra micrometástases detectadas precocemente por testes de MRD.
O interesse nesse segmento aumentou após estudos recentes demonstrarem benefícios clínicos em pacientes com doença residual mínima após tratamento cirúrgico. Em 2025, resultados de fase 3 envolvendo o Lonsurf, da Taiho Oncology, mostraram melhora na sobrevida livre de doença em pacientes de alto risco nessa mesma população.
A Exelixis planeja iniciar o estudo em meados de 2026. Caso obtenha sucesso, o zanzalintinibe, combinado ou não ao Keytruda, poderá se tornar uma nova alternativa terapêutica para pacientes com câncer colorretal em estágio pós-adjuvante e alto risco de recorrência, grupo que atualmente possui opções limitadas de tratamento.
Fonte: FierceBiotech