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Boehringer Ingelheim vende unidade de biomanufatura na China para a Raas Blood Products

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A Boehringer Ingelheim está se desfazendo de sua operação de fabricação terceirizada de medicamentos biológicos na China. A farmacêutica alemã firmou um acordo para transferir o controle integral da Boehringer Ingelheim Biopharmaceuticals China para a empresa chinesa Raas Blood Products, em uma transação avaliada em até 20 milhões de yuans (cerca de US$ 3 milhões).

Fundada em 2014, em Xangai, a unidade foi criada para atuar no desenvolvimento e na fabricação contratada de medicamentos biológicos, oferecendo serviços que abrangem desde a produção para estudos clínicos até projetos comerciais. A instalação também presta suporte regulatório e realiza atividades de desenvolvimento analítico e controle de qualidade para empresas chinesas e internacionais.

Segundo a Raas, a operação faz parte de um reposicionamento estratégico da Boehringer Ingelheim na China, permitindo que a farmacêutica concentre esforços em outras áreas de atuação no país.

A aquisição inclui uma estrutura de fabricação com capacidade comercial de 6.000 litros, além da licença de produção emitida pela Administração Municipal de Medicamentos de Xangai, infraestrutura de industrialização e uma equipe técnica especializada. Para a Raas, trata-se de uma oportunidade estratégica para incorporar uma das poucas plataformas de manufatura de biofármacos de grande porte disponíveis no mercado chinês.

A transação ocorre em um momento desafiador para a unidade adquirida. De acordo com informações divulgadas pela compradora, a subsidiária da Boehringer registrou prejuízos em 2024, 2025 e no primeiro trimestre de 2026. Apenas em 2025, as perdas líquidas somaram cerca de 259 milhões de yuans (US$ 38,5 milhões). A companhia teria enfrentado crescente pressão competitiva de desenvolvedoras locais de serviços de fabricação contratada, como a WuXi Biologics.

Por outro lado, a própria Raas também tem enfrentado desafios relacionados à desaceleração das vendas de produtos derivados do sangue no mercado chinês. Com a aquisição, a empresa busca acelerar sua entrada no segmento de medicamentos biológicos inovadores e fortalecer sua capacidade de produção própria.

O principal foco da companhia é o SR604, um anticorpo monoclonal experimental desenvolvido para o tratamento da hemofilia A e B. Segundo a Raas, o candidato é o primeiro medicamento do mundo direcionado à proteína C ativada para essas indicações. O programa já avança para estudos de fase 3, enquanto a empresa também conduz pesquisas para avaliar o produto em pacientes com doença de von Willebrand.

A expectativa é que a infraestrutura adquirida seja utilizada para garantir a futura produção comercial do SR604, além de apoiar outros projetos do pipeline voltados para doenças hemorrágicas e inflamatórias.

Apesar da venda da unidade chinesa, o desempenho global da Boehringer Ingelheim permanece sólido. A companhia registrou crescimento de aproximadamente 12% na receita no primeiro semestre de 2026, impulsionado principalmente pela forte demanda pelo medicamento Jardiance, utilizado no tratamento de diabetes tipo 2, insuficiência cardíaca e doença renal crônica.

A operação evidencia dois movimentos simultâneos no mercado farmacêutico chinês: de um lado, a reorganização de multinacionais que buscam otimizar suas operações; de outro, o interesse crescente de empresas locais em adquirir infraestrutura e capacidades produtivas para acelerar o desenvolvimento de medicamentos inovadores.

Fonte: FiercePharma