Novartis ajusta pipeline inicial e aposta em dois novos candidatos oncológicos
A Novartis promoveu um novo ajuste em seu portfólio de pesquisa e desenvolvimento ao encerrar seis programas em estágios iniciais, que foram substituídos por dois novos candidatos oncológicos atualmente em fase 1. Os ativos descontinuados não aparecem na apresentação de resultados da companhia divulgada em 4 de fevereiro, e a decisão foi confirmada por um porta-voz da farmacêutica à Fierce Biotech.
Entre os projetos cancelados, quatro eram voltados ao tratamento de tumores sólidos. De acordo com uma apresentação da Novartis referente ao terceiro trimestre de 2025, foram interrompidos os desenvolvimentos do AAA802, indicado para câncer de próstata; do MGY825, para câncer de pulmão de não pequenas células; além dos candidatos KFA115 e HRO761, ambos direcionados a tumores sólidos não especificados.
Os outros dois ativos descontinuados incluem o DFV890, um inibidor de NLRP3 em estudo para síndrome mielodisplásica de baixo risco, e o PIT565, desenvolvido para malignidades de células B.
Segundo a Novartis, as decisões fazem parte de uma revisão contínua do portfólio. “Avaliamos constantemente as oportunidades dentro de nossa pipeline para garantir que estamos avançando apenas com medicamentos de alto valor e com potencial verdadeiramente transformador para os pacientes”, afirmou um porta-voz da empresa. Ele acrescentou que a recente análise de P&D levou à interrupção de “um número seleto de projetos de pesquisa e ensaios clínicos iniciais”.
Apesar dos cortes, a farmacêutica ressaltou que a redução foi compensada pela inclusão de novos programas. Atualmente, a Novartis mantém cerca de 99 projetos em desenvolvimento clínico. Os dois novos candidatos em fase 1 são o AMO959, voltado ao tratamento do câncer de próstata e direcionado a mecanismos de reparo do DNA, e o GCJ904, um candidato para tumores sólidos cujo mecanismo de ação ainda não foi divulgado.
Paralelamente, a empresa tem reforçado seus investimentos em áreas estratégicas além da oncologia. Recentemente, a Novartis firmou um acordo de até US$ 1,7 bilhão com a SciNeuro Pharmaceuticals para o desenvolvimento de anticorpos capazes de atravessar a barreira hematoencefálica, com foco em terapias para a doença de Alzheimer. Pelo acordo, a Novartis financia a fase de pesquisa e poderá assumir o desenvolvimento e a comercialização do programa caso os resultados sejam positivos.
O movimento ocorreu pouco depois de a farmacêutica devolver dois programas em fase de descoberta à Voyager Therapeutics, empresa de biotecnologia especializada em neurologia, em dezembro.
Em novembro, o CEO da Novartis, Vas Narasimhan, afirmou à Fierce que a companhia pretende se posicionar como uma das líderes no tratamento de doenças neuromusculares. Essa estratégia foi reforçada pela aquisição da Avidity Biosciences, especializada em distrofia muscular, em uma transação avaliada em US$ 12 bilhões concluída em outubro do ano passado.
Fonte: FierceBiotech