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Imfinzi amplia avanços em câncer de bexiga e fortalece disputa com Keytruda

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A AstraZeneca voltou a avançar no tratamento do câncer de bexiga com o Imfinzi após um início conturbado nessa indicação terapêutica. Depois de ter obtido uma aprovação acelerada da U.S. Food and Drug Administration em 2017, posteriormente retirada em 2021 devido ao fracasso de um estudo confirmatório, a farmacêutica agora acumula resultados positivos em três estudos clínicos de fase 3 envolvendo o medicamento.

Os dados mais recentes vieram do estudo Volga, que avaliou pacientes com câncer de bexiga músculo-invasivo (MIBC) inelegíveis ou que recusaram tratamento com quimioterapia à base de cisplatina. Segundo a empresa, o uso perioperatório do Imfinzi em combinação com o Padcev, da Pfizer e Astellas Pharma, demonstrou melhora significativa na sobrevida livre de eventos e na sobrevida global em comparação ao tratamento padrão.

Os pacientes do grupo controle foram submetidos à remoção cirúrgica da bexiga, com ou sem tratamento complementar pós-operatório aprovado.

Outro braço do estudo avaliou a combinação do Imfinzi com o Imjudo, imunoterapia anti-CTLA-4 da AstraZeneca, além do uso neoadjuvante do Padcev. Nesse cenário, o regime apresentou benefício estatisticamente significativo na sobrevida livre de eventos. Entretanto, a análise interina não demonstrou ganho estatisticamente relevante em sobrevida global, embora a companhia tenha destacado uma tendência favorável nos resultados.

De acordo com a AstraZeneca, os dados completos serão apresentados em um congresso médico e posteriormente submetidos às autoridades regulatórias.

Cerca de 25% dos casos de câncer de bexiga são classificados como músculo-invasivos, e aproximadamente metade desses pacientes não pode receber quimioterapia baseada em cisplatina. Mesmo após a cirurgia de retirada da bexiga, muitos continuam apresentando elevado risco de recorrência da doença, reforçando a necessidade de novas alternativas terapêuticas.

O pesquisador Thomas Powles, do Barts Cancer Centre, em Londres, destacou que os resultados representam um avanço relevante para uma população com opções limitadas de tratamento. Segundo ele, o perfil de segurança observado no estudo foi considerado administrável, sem identificação de novos sinais relevantes de toxicidade.

Os novos dados também ampliam a disputa entre o Imfinzi e o Keytruda, da Merck & Co., no mercado de câncer de bexiga. Em novembro do ano passado, o Keytruda recebeu aprovação para uso perioperatório em pacientes com câncer de bexiga músculo-invasivo inelegíveis para cisplatina, também em combinação com o Padcev.

Além disso, a combinação Keytruda-Padcev está sob análise prioritária da FDA para pacientes elegíveis à cisplatina, com decisão regulatória prevista para agosto de 2026.

A AstraZeneca já havia obtido outros avanços recentes com o Imfinzi em câncer de bexiga. Em março de 2025, o medicamento se tornou a primeira imunoterapia aprovada para pacientes com câncer de bexiga músculo-invasivo elegíveis para cisplatina, com base nos resultados do estudo Niagara.

Na ocasião, o regime reduziu em 32% o risco de progressão da doença, recorrência, impossibilidade de cirurgia ou morte em comparação à quimioterapia isolada.

Posteriormente, o estudo Potomac demonstrou que a adição do Imfinzi ao tratamento padrão reduziu em 32% o risco de recorrência ou morte em pacientes com câncer de bexiga não músculo-invasivo de alto risco.

O desempenho clínico acompanha o crescimento comercial do medicamento. Em 2025, o Imfinzi registrou vendas globais de US$ 6,1 bilhões, alta de 37% em relação ao ano anterior. Somente no primeiro trimestre de 2026, a receita do produto alcançou US$ 1,7 bilhão, com crescimento anual de 30%.

Fonte: FiercePharma