Escassez de medicamentos à base de platina ameaça tratamentos contra o câncer na Índia
A escassez de medicamentos quimioterápicos à base de platina está afetando pacientes com câncer na Índia, dificultando o acesso a tratamentos essenciais e gerando preocupação entre médicos, distribuidores e fabricantes. A falta de produtos como cisplatina e carboplatina tem se intensificado nas últimas semanas, principalmente em hospitais públicos.
O problema é atribuído à dependência indiana da platina importada, cuja oferta foi reduzida devido à alta dos preços internacionais e a interrupções no fornecimento relacionadas ao conflito no Oriente Médio. Segundo representantes do setor, a crise de abastecimento já dura cerca de dois meses, mas se agravou recentemente com a queda na disponibilidade de matéria-prima.
Pacientes relatam dificuldades para localizar os medicamentos. Em alguns casos, familiares precisam procurar o produto em diferentes cidades e estados para garantir a continuidade do tratamento. A cisplatina e a carboplatina são amplamente utilizadas no tratamento de diversos tipos de câncer, incluindo pulmão, ovário, fígado e vesícula biliar, e são consideradas fundamentais em muitos protocolos oncológicos.
Especialistas estimam que pelo menos 25% dos pacientes em quimioterapia no país utilizem medicamentos à base de platina. Oncologistas alertam que a escassez pode comprometer a continuidade dos tratamentos, já que as alternativas terapêuticas disponíveis costumam apresentar menor eficácia ou maior toxicidade.
A pressão sobre o mercado foi ampliada pela valorização da platina, impulsionada por déficits globais de oferta, demanda crescente de investidores e maior utilização do metal pela indústria automotiva. Segundo fabricantes, o preço da platina mais que dobrou em aproximadamente um ano.
As farmacêuticas locais enfrentam dificuldades para absorver esse aumento de custos, já que os preços dos medicamentos são controlados pelo governo indiano. Empresas do setor solicitaram uma revisão dos tetos de preços, com reajustes próximos de 50%, argumentando que os valores atuais inviabilizam economicamente a produção.
Alguns fabricantes já reduziram ou interromperam temporariamente a produção. A Naprod Life Sciences, por exemplo, suspendeu a fabricação de cisplatina e carboplatina devido à dificuldade de obtenção da matéria-prima. Outras empresas afirmam que continuam operando, mas alertam que a pressão sobre a cadeia de suprimentos poderá aumentar caso não haja atualização dos preços regulados.
O cenário evidencia como fatores geopolíticos e a volatilidade no mercado de matérias-primas podem afetar diretamente a disponibilidade de medicamentos oncológicos essenciais, gerando riscos de desabastecimento e impacto no tratamento de pacientes.
Fonte: Reuters