Brukinsa reduz risco de progressão em 43% no tratamento de primeira linha do LCM
A BeOne Medicines anunciou resultados positivos do estudo de fase 3 Mangrove (BGB-3111-306), no qual Brukinsa® (zanubrutinibe), em combinação com rituximabe, reduziu em 43% o risco de progressão da doença ou morte em comparação ao regime padrão composto por bendamustina e rituximabe (BR) para o tratamento de primeira linha do linfoma de células do manto (LCM).
Além do benefício estatisticamente significativo em sobrevida livre de progressão (SLP), a empresa informou que os dados de sobrevida global (SG), embora ainda imaturos, demonstraram uma tendência favorável ao regime com Brukinsa.
O estudo Mangrove também tem como objetivo confirmar o benefício clínico que sustenta a aprovação acelerada concedida pela FDA ao Brukinsa, em 2019, para pacientes com LCM previamente tratados. Segundo a BeOne, os resultados serão utilizados nas submissões regulatórias previstas para 2026.
Os dados de SG deverão ser determinantes para a ampliação da indicação do medicamento. Isso porque experiências anteriores demonstraram que ganhos em SLP, isoladamente, podem não ser suficientes para garantir a manutenção da aprovação regulatória. Um exemplo foi o Imbruvica® (ibrutinibe), da AbbVie e Johnson & Johnson, cuja indicação para LCM foi retirada nos Estados Unidos após o estudo SHINE evidenciar melhora na SLP, mas tendência desfavorável em SG quando associado ao esquema BR.
O cenário competitivo do LCM também evoluiu recentemente. No início de 2025, a AstraZeneca obteve aprovação da FDA para o Calquence® (acalabrutinibe) em combinação com bendamustina e rituximabe como tratamento de primeira linha para pacientes inelegíveis ao transplante autólogo de células-tronco. No estudo ECHO, o regime reduziu em 27% o risco de progressão da doença ou morte em relação ao BR isolado, enquanto os dados de SG permaneceram imaturos, porém favoráveis ao tratamento experimental.
Já em julho de 2025, a Comissão Europeia aprovou o Imbruvica® como parte de um esquema terapêutico baseado no estudo TRIANGLE, para pacientes elegíveis ao transplante autólogo. Nesse estudo, a combinação do medicamento com quimioimunoterapia, com ou sem transplante, reduziu em 47,8% o risco de morte em comparação à estratégia convencional baseada em transplante e quimioimunoterapia.
Segundo a BeOne, os resultados do Mangrove reforçam o potencial do Brukinsa para estabelecer um novo paradigma terapêutico ao oferecer uma alternativa de primeira linha livre de quimioterapia, reduzindo a exposição dos pacientes à toxicidade associada ao tratamento convencional. A companhia destaca que esse benefício pode ser particularmente relevante no LCM, doença que acomete predominantemente pacientes idosos.
Além do impacto clínico, uma eventual aprovação nessa indicação poderá fortalecer ainda mais a posição competitiva do Brukinsa frente ao Calquence. No primeiro trimestre, o medicamento registrou vendas globais de US$ 1,1 bilhão, superando os US$ 923 milhões reportados pelo Calquence, enquanto ambos continuam ampliando participação de mercado em detrimento do Imbruvica.
Fonte: FiercePharma