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Vacina contra o câncer da Merck e Moderna: potencial, funcionamento e desafios para a expansão

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A vacina personalizada contra o câncer desenvolvida pela Moderna em parceria com a Merck vem aumentando as expectativas sobre o potencial da tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) para criar uma nova abordagem no tratamento de tumores. Apesar dos resultados iniciais positivos, especialistas ressaltam que ainda são necessários dados mais completos para confirmar a eficácia da estratégia em diferentes tipos de câncer.

Dados preliminares de um amplo estudo clínico mostraram que a vacina experimental, administrada em combinação com o Keytruda, imunoterapia da Merck, reduziu o risco de recorrência e disseminação do melanoma em pacientes que tiveram os tumores removidos cirurgicamente.

Como funciona a vacina personalizada?

Conhecida como autogene intismerano, a vacina é desenvolvida individualmente para cada paciente com base nas mutações específicas encontradas em seu tumor. Após a remoção cirúrgica do câncer, as empresas realizam o sequenciamento genético do tumor para identificar alterações que possam ser reconhecidas pelo sistema imunológico.

A partir dessas informações, é produzida uma vacina de mRNA capaz de direcionar a resposta imunológica contra até 34 mutações específicas das células cancerígenas daquele paciente. O tratamento combina até nove doses do Keytruda, administradas a cada seis semanas, com até nove doses da vacina personalizada.

A estratégia busca ensinar o sistema imunológico a reconhecer as características específicas do tumor e destruir as células cancerígenas que apresentem essas alterações.

Potencial para outros tipos de câncer

O melanoma foi escolhido como um dos primeiros alvos da tecnologia por apresentar uma elevada quantidade de mutações, o que pode oferecer mais alvos para que o sistema imunológico reconheça as células tumorais.

Outros tipos de câncer com alta carga mutacional, como tumores de pulmão e cólon, também são considerados potenciais candidatos para a abordagem. No entanto, especialistas ressaltam que ainda não está claro se a tecnologia apresentará resultados semelhantes em tumores com características biológicas diferentes.

A Merck e a Moderna já conduzem grandes estudos clínicos com a combinação em pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células que tiveram os tumores removidos cirurgicamente. A Moderna também avalia o tratamento em estudos de fase intermediária para câncer de bexiga e rim e em estudos iniciais para câncer de pâncreas e estômago.

A companhia espera divulgar resultados de diferentes estudos nos próximos anos, o que deverá ajudar a determinar a amplitude de aplicação da tecnologia.

Produção é um dos principais desafios

A fabricação de uma vacina específica para cada paciente torna o processo muito mais complexo do que a produção convencional de vacinas em grandes lotes. Cada dose precisa ser desenvolvida a partir das características genéticas do tumor individual, passando por etapas de sequenciamento, desenho da vacina, fabricação e administração.

Todo esse processo também exige um rigoroso controle para garantir que a vacina produzida a partir de determinada amostra tumoral seja administrada ao paciente correto.

Segundo especialistas, a complexidade da operação aumenta significativamente quando o tratamento passa de estudos clínicos para uma eventual utilização comercial em larga escala. A Moderna, porém, afirma que possui capacidade para ampliar sua produção à medida que a demanda pelo tratamento crescer.

Mais dados ainda são necessários

Os resultados preliminares divulgados em agosto mostraram que a combinação de Keytruda e intismerano atingiu o principal objetivo do estudo ao reduzir o risco de recorrência do melanoma. O tratamento também alcançou o objetivo secundário de diminuir a probabilidade de disseminação do câncer para outras partes do organismo, em comparação com o uso isolado do Keytruda.

Apesar dos resultados positivos, a magnitude exata do benefício ainda não está definida. Os dados detalhados do estudo e os resultados de sobrevida global, que indicarão se a combinação também permite que os pacientes vivam por mais tempo, ainda não foram divulgados.

Resultados de cinco anos de um estudo clínico anterior já haviam indicado que a vacina reduziu em aproximadamente 50% o risco de recorrência do melanoma e em 59% o risco de disseminação da doença, quando comparada ao Keytruda isoladamente.

Os próximos resultados clínicos serão importantes para determinar se a vacina personalizada poderá se tornar uma plataforma de tratamento aplicável a diferentes tipos de câncer ou se seus benefícios permanecerão concentrados em tumores com características específicas, como o melanoma.

Fonte: Reuters