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AstraZeneca ganha impulso com resultado positivo do Tezspire em esofagite eosinofílica

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A AstraZeneca anunciou que o Tezspire, medicamento desenvolvido em parceria com a Amgen para o tratamento da asma, atingiu os principais objetivos de um estudo clínico de fase 3 em pacientes com esofagite eosinofílica, doença inflamatória crônica que afeta o esôfago. O resultado representa um avanço para a farmacêutica em meio a uma sequência recente de contratempos em seu portfólio de medicamentos em desenvolvimento.

Após 52 semanas de tratamento, o Tezspire reduziu significativamente a inflamação no esôfago e melhorou a dificuldade de deglutição dos pacientes em comparação com o placebo. A esofagite eosinofílica afeta mais de 470 mil pessoas nos Estados Unidos e é caracterizada pela presença excessiva de eosinófilos, um tipo de célula do sistema imunológico, no esôfago.

O Tezspire é um anticorpo monoclonal que bloqueia a TSLP, uma proteína que atua no início da resposta inflamatória. A estratégia permite interferir na cascata inflamatória associada a doenças provocadas por eosinófilos, incluindo formas graves de asma.

Segundo o investigador principal do estudo, Arjan Bredenoord, a administração do medicamento a cada quatro semanas pode representar uma vantagem em relação às terapias atualmente disponíveis para esofagite eosinofílica. Os tratamentos utilizados hoje incluem corticosteroides tópicos, medicamentos que reduzem a produção de ácido gástrico e restrições alimentares.

Os pacientes participantes do estudo puderam continuar utilizando seus tratamentos de base durante a pesquisa. A AstraZeneca afirma que as terapias existentes atuam sobre diferentes proteínas, mas podem apresentar limitações no controle de doenças inflamatórias de origem epitelial.

O resultado positivo amplia o potencial comercial do Tezspire, que já é aprovado em diversos países como tratamento adicional para asma grave. Nessa indicação, o medicamento concorre principalmente com o Dupixent, da Sanofi e Regeneron.

Em 2025, o Tezspire gerou US$ 1,13 bilhão em vendas para a AstraZeneca e US$ 1,48 bilhão para a Amgen, reforçando a importância do medicamento para as duas companhias.

O avanço ocorre em um momento de maior pressão sobre o portfólio da AstraZeneca. A companhia enfrenta uma série de resultados negativos em estudos clínicos e contratempos regulatórios enquanto o CEO Pascal Soriot busca alcançar a meta de US$ 80 bilhões em vendas anuais até 2030, apoiada pelo lançamento de até 20 novos medicamentos.

Entre os principais reveses recentes estão a falha do Wainua em um estudo de fase 3 para doenças cardíacas, o resultado negativo do Ultomiris em uma doença rara e a rejeição, por um painel regulatório dos Estados Unidos, do camizestrant para câncer de mama.

Neste mês, a AstraZeneca também interrompeu um estudo de fase 3 do volrustomig para câncer de pulmão após um comitê independente concluir que era improvável que o ensaio atingisse seu principal objetivo.

Apesar desses desafios, os resultados do Tezspire podem contribuir para ampliar as indicações do medicamento e fortalecer uma das principais fontes de crescimento da AstraZeneca fora de seu portfólio oncológico. A companhia, contudo, continua sendo acompanhada de perto pelos investidores, que aguardam resultados de importantes estudos de câncer que podem ter impacto maior sobre suas perspectivas de crescimento.

Fonte: Reuters