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Roche avança com sefaxersen em fase 3 para nefropatia por IgA e mira aprovação acelerada

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A Roche anunciou resultados positivos de uma análise interina do estudo de fase 3 Imagination, que avalia o sefaxersen para o tratamento da nefropatia primária por IgA (IgAN). O medicamento atingiu o objetivo primário do estudo ao demonstrar uma redução estatisticamente significativa da proteinúria em comparação ao placebo, fortalecendo as perspectivas regulatórias e comerciais do ativo desenvolvido em parceria com a Ionis Pharmaceuticals.

Os resultados foram observados na semana 37 do estudo, quando pacientes tratados com injeções mensais de sefaxersen apresentaram redução da relação proteína/creatinina urinária (UPCR), um importante marcador da função renal e da progressão da doença. O perfil de segurança e tolerabilidade permaneceu consistente com os dados observados em estudos anteriores, sem novos sinais de segurança relevantes.

Embora o estudo continue em andamento até a semana 105 para avaliar o impacto do tratamento na função renal de longo prazo, a Roche pretende iniciar discussões com autoridades regulatórias sobre um possível caminho para aprovação acelerada. A estratégia se baseia em evidências crescentes que associam a redução da proteinúria à preservação da função renal e à desaceleração da progressão da doença.

A companhia já havia sinalizado anteriormente que os dados de proteinúria poderiam sustentar um pedido de aprovação antecipada. Segundo a Roche, o sefaxersen tem potencial para se tornar um importante ativo em nefrologia, com estimativas internas apontando para pico de vendas entre € 1 bilhão e € 2 bilhões. Analistas de mercado, por sua vez, projetam receitas mais conservadoras, em torno de € 400 milhões até 2030.

O otimismo da empresa reflete o rápido crescimento esperado para o mercado de nefropatia por IgA, uma doença renal crônica caracterizada pelo acúmulo de imunoglobulina A nos rins, que pode levar à perda progressiva da função renal.

O sefaxersen é um oligonucleotídeo antissenso desenvolvido para bloquear a produção do fator B do complemento, proteína cuja atividade está associada à inflamação e ao dano renal em pacientes com IgAN. Ao reduzir a produção desse componente do sistema complemento, o tratamento busca impedir a progressão da lesão renal.

A principal referência competitiva nesse segmento é o Fabhalta, da Novartis, que também atua sobre a via do fator B do complemento. O medicamento recebeu aprovação acelerada do FDA em 2024 para nefropatia por IgA e obteve aprovação definitiva em 2026. Diferentemente do Fabhalta, administrado por via oral duas vezes ao dia, o sefaxersen é aplicado por injeção subcutânea mensal.

Outro potencial diferencial está relacionado ao perfil metabólico. Enquanto o Fabhalta pode estar associado ao aumento dos níveis de colesterol, os estudos clínicos de fase 2 do sefaxersen não identificaram impacto relevante sobre esse parâmetro.

A parceria entre Roche e Ionis teve início em 2018, quando a farmacêutica suíça adquiriu uma opção sobre o programa mediante pagamento inicial de US$ 75 milhões. Em 2022, a empresa exerceu essa opção e licenciou oficialmente o candidato mediante um pagamento adicional de US$ 55 milhões.

O ativo já havia passado anteriormente pelas mãos da GSK, que decidiu devolver os direitos do programa à Ionis em 2017 antes da continuidade do desenvolvimento clínico.

Com o sucesso da análise interina do estudo Imagination, a Roche fortalece sua presença na área de doenças renais e se aproxima de um mercado em expansão, atualmente liderado pela Novartis. Caso os dados de longo prazo confirmem o benefício clínico observado até agora, o sefaxersen poderá se tornar uma importante nova opção terapêutica para pacientes com nefropatia por IgA.

Fonte: FierceBiotech