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Pfizer bate estimativas no trimestre e confirma projeção conservadora para 2026

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Na terça-feira, a Pfizer divulgou os resultados do quarto trimestre, superando as estimativas de lucro e receita mesmo diante da contínua retração na demanda por seus produtos ligados à Covid-19. Ao mesmo tempo, a farmacêutica reafirmou sua projeção considerada modesta para 2026, guidance que já havia causado preocupação entre investidores em dezembro.

A companhia vem direcionando esforços para investimentos de longo prazo em seu pipeline de desenvolvimento, buscando compensar a queda nas vendas dos produtos contra a Covid e o enfraquecimento de medicamentos mais maduros. Um dos principais movimentos estratégicos foi a aquisição da Metsera, empresa de biotecnologia focada em obesidade, por US$ 10 bilhões. A Pfizer destacou o potencial desse investimento ao divulgar novos dados de um estudo de fase intermediária indicando que um candidato injetável da Metsera pode ser administrado mensalmente, com resultados relevantes em perda de peso.

Além disso, a Pfizer segue avançando em seu plano de eficiência operacional, com expectativa de reduzir custos em aproximadamente US$ 7,7 bilhões até o final de 2027, por meio de duas iniciativas distintas.

No quarto trimestre, a empresa reportou os seguintes resultados, em comparação com as expectativas de Wall Street, segundo levantamento da LSEG:

  • Lucro por ação ajustado: US$ 0,66, acima dos US$ 0,57 esperados
  • Receita: US$ 17,56 bilhões, frente aos US$ 16,95 bilhões projetados

Apesar do desempenho acima das estimativas, as ações da Pfizer recuaram mais de 3% no pregão de terça-feira.

A receita trimestral totalizou US$ 17,56 bilhões, representando uma queda de cerca de 1% em relação ao mesmo período do ano anterior, refletindo principalmente a menor demanda pela vacina contra a Covid-19 e pelo antiviral oral Paxlovid. No período, a companhia registrou prejuízo líquido de US$ 1,65 bilhão, ou US$ 0,29 por ação, ante um lucro líquido de US$ 410 milhões, ou US$ 0,07 por ação, no quarto trimestre do ano anterior. Desconsiderando itens como encargos de reestruturação e custos relacionados a ativos intangíveis, o lucro ajustado foi de US$ 0,66 por ação.

Para 2026, a Pfizer projeta lucro ajustado entre US$ 2,80 e US$ 3,00 por ação, com receita estimada entre US$ 59,5 bilhões e US$ 62,5 bilhões, praticamente estável em relação a 2025. Segundo a empresa, a perspectiva contida reflete, em parte, a expectativa de uma redução de cerca de US$ 1,5 bilhão nas vendas da vacina contra a Covid-19 e do Paxlovid, que devem somar aproximadamente US$ 5 bilhões no próximo ano.

A farmacêutica também prevê uma queda adicional de cerca de US$ 1,5 bilhão na receita devido à perda de exclusividade de mercado de alguns produtos. Medicamentos de grande relevância, como a vacina pneumocócica Prevnar, enfrentam concorrência crescente de rivais.

Em dezembro, o diretor financeiro da Pfizer, Dave Denton, destacou ainda que as projeções para 2026 já incorporam pressões sobre preços e margens. Segundo ele, a empresa planeja conceder descontos mais elevados em seu negócio com o Medicaid como parte de um acordo histórico de preços de medicamentos firmado com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Pelos termos do acordo, a Pfizer concordou em vender seus medicamentos existentes aos pacientes do Medicaid pelo menor preço praticado em outros países desenvolvidos, além de garantir o mesmo preço de “nação mais favorecida” para novos medicamentos destinados ao Medicare, Medicaid e planos privados. Em contrapartida, a empresa receberá isenção tarifária por três anos.

Por fim, os medicamentos Xeljanz e Xeljanz XR, indicados para artrite reumatoide e outras doenças inflamatórias, foram incluídos em janeiro na terceira rodada de negociações de preços do Medicare. Os novos valores negociados devem entrar em vigor a partir de 2028.

Fonte: CNBC