Lilly avança sobre o promissor mercado de CAR-T in vivo com acordo bilionário
A Eli Lilly anunciou a aquisição da Orna Therapeutics por um valor que pode chegar a US$ 2,4 bilhões, tornando-se a mais recente grande farmacêutica a apostar no promissor mercado de terapias CAR-T in vivo.
Com sede em Massachusetts, a Orna desenvolve terapias baseadas em RNA circular projetado. Seu principal candidato, o ORN-252, direcionado ao CD19, já está pronto para iniciar estudos clínicos e tem como foco o tratamento de doenças autoimunes mediadas por células B. A Lilly não detalhou quanto do montante total será pago inicialmente e qual parcela dependerá do cumprimento de marcos clínicos e regulatórios.
A tecnologia da Orna combina RNA circular modificado com nanopartículas lipídicas (LNPs) para gerar células CAR-T diretamente no organismo do paciente, eliminando etapas complexas do processo ex vivo tradicional. Segundo a Lilly, dados preliminares indicam que a plataforma pode permitir uma expressão mais duradoura de proteínas terapêuticas, abrindo caminho para aplicações que não seriam viáveis com as tecnologias atuais de terapia celular ou RNA.
Com a aquisição, a Lilly passa a controlar uma plataforma ampla de engenharia celular in vivo, reforçando sua estratégia de longo prazo em medicina genética e terapias celulares.
O movimento segue uma tendência do setor. Nos últimos meses, empresas como Gilead, AbbVie, Bristol Myers Squibb e AstraZeneca também realizaram aquisições bilionárias voltadas a tecnologias CAR-T in vivo e terapias baseadas em RNA. Já havia sinais do interesse da Lilly nesse campo quando a companhia anunciou a contratação de um diretor especializado em biologia CAR-T no ano passado.
De acordo com Francisco Ramírez-Valle, chefe de pesquisa em imunologia e desenvolvimento clínico inicial da Lilly, as terapias CAR-T autólogas já demonstraram potencial relevante em doenças autoimunes, mas sua complexidade operacional e custo elevado limitam o acesso. A proposta da Orna é simplificar esse processo ao gerar as células modificadas diretamente no corpo do paciente.
Fundada em 2021 com um aporte inicial de US$ 100 milhões, a Orna nasceu a partir de pesquisas conduzidas no MIT. Desde então, levantou US$ 221 milhões em rodada Série B, firmou parcerias com empresas como Merck e Vertex e adquiriu a Renegade Therapeutics em 2024.
A aquisição integra uma sequência de movimentos estratégicos da Lilly, impulsionada pelo forte desempenho comercial de medicamentos como o Mounjaro. Recentemente, a empresa também adquiriu a Verve Therapeutics, a Ventyx e a Adverum Biotechnologies, reforçando sua ambição de consolidar-se como um dos principais polos globais de inovação biofarmacêutica.
Fonte: FierceBiotech