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Adcetris mantém crescimento e amplia market share com novas indicações

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O Adcetris (brentuximabe vedotina), anticorpo droga-conjugado (ADC) da Takeda direcionado ao antígeno CD30, segue expandindo sua relevância clínica e estratégica no tratamento de linfomas, impulsionado por novas aprovações regulatórias, resultados consistentes em estudos de fase avançada e um pipeline ainda ativo de investigações em diferentes subtipos de neoplasias hematológicas.

Atualmente, há cerca de 35 estudos clínicos ativos e ao menos dois estudos em fase IV avaliando a eficácia e a segurança do brentuximabe vedotina, com foco principal no linfoma de Hodgkin clássico e em outros linfomas CD30-positivos. O medicamento também segue sendo explorado em múltiplas combinações com quimioterapia e imunoterapia, tanto em cenários de primeira linha quanto em doença recidivada ou refratária.

Um dos marcos históricos para a consolidação do produto foi o estudo ECHELON-1, um ensaio de fase III que comparou brentuximabe vedotina em combinação com o regime AVD versus o esquema ABVD em pacientes com linfoma de Hodgkin clássico em estágios III e IV. O estudo demonstrou melhora significativa na sobrevida livre de progressão, contribuindo para a aprovação e adoção dessa combinação como tratamento de primeira linha em diversos países.

Mais recentemente, no primeiro semestre de 2025, o FDA aprovou o uso do brentuximabe vedotina em combinação com lenalidomida e um agente baseado em rituximabe para o tratamento de linfoma de grandes células B (LGCB) recidivado ou refratário em adultos inelegíveis para transplante autólogo de células-tronco ou terapia com células CAR-T. A decisão foi baseada nos resultados do estudo ECHELON-3, que incluiu 230 pacientes e demonstrou ganho relevante em sobrevida global (13,8 versus 8,5 meses) e redução significativa do risco de morte em comparação ao regime controle.

Essa aprovação ampliou o escopo de uso do Adcetris para além dos linfomas clássicos CD30-positivos, incorporando novos subgrupos de linfomas agressivos de células B que expressam CD30 ou marcadores correlatos.

Paralelamente, revisões sistemáticas recentes vêm reforçando o papel do brentuximabe vedotina nos linfomas periféricos de células T, um grupo heterogêneo de doenças de difícil manejo, com perspectivas de individualização terapêutica e de combinação com novas classes de agentes-alvo para ampliar taxas de resposta e sobrevida.

Incidência e relevância clínica sustentam papel da terapia dirigida

O brentuximabe vedotina é indicado principalmente para neoplasias que expressam o antígeno CD30, com destaque para o linfoma de Hodgkin clássico e determinados linfomas de células T. Globalmente, o linfoma de Hodgkin responde por cerca de 83 mil novos casos por ano, com uma taxa ajustada por idade próxima de 0,95 caso por 100 mil habitantes.

No Brasil, estimativas recentes apontam cerca de 3.080 novos casos de linfoma de Hodgkin por ano no triênio 2023-2025, dentro de um universo de aproximadamente 15 mil novos casos anuais de linfomas em geral. Embora menos frequente do que muitos tumores sólidos, a doença segue sendo clinicamente relevante, sobretudo em populações jovens e em pacientes com doença avançada ou recidivada.

Já os linfomas de células T representam cerca de 10% a 15% dos linfomas não-Hodgkin. Dentro desse grupo, o linfoma anaplásico de grandes células sistêmico (sALCL) é extremamente raro, com incidência estimada em cerca de um caso por milhão de habitantes por ano, mas clinicamente significativo por expressar CD30 e apresentar resposta ao brentuximabe vedotina.

Apesar das diferenças marcantes de incidência entre esses subtipos, todos compartilham a expressão do CD30 como alvo terapêutico, o que sustenta a proposta de uma terapia dirigida e explica os ganhos clínicos observados com o uso do Adcetris em cenários onde as alternativas são mais limitadas.

Uma plataforma tecnológica de alta complexidade

Do ponto de vista produtivo, o Adcetris é um anticorpo droga-conjugado (ADC), composto por um anticorpo monoclonal quimérico recombinante direcionado ao CD30, produzido em células de ovário de hamster chinês (CHO) por tecnologia de DNA recombinante. Esse anticorpo é posteriormente conjugado a um agente citotóxico potente, formando um complexo altamente específico que entrega a droga diretamente às células tumorais que expressam o alvo.

Esse tipo de plataforma biotecnológica representa uma das fronteiras mais avançadas da oncologia moderna, ao combinar a seletividade dos anticorpos com a potência de agentes quimioterápicos.

Desempenho comercial e perspectiva de expansão

Do ponto de vista de mercado, o Adcetris segue como um ativo relevante dentro do portfólio onco-hematológico da Takeda. No último resultado financeiro divulgado, o medicamento registrou vendas de aproximadamente US$ 471,8 milhões, com crescimento particularmente forte em mercados emergentes, Europa e Canadá.

Segundo a companhia, a performance é sustentada tanto pela eficácia clínica do produto quanto pela expansão gradual de suas indicações. Em junho de 2025, o brentuximabe vedotina foi aprovado como parte do tratamento de pacientes adultos com linfoma de Hodgkin recém-diagnosticado em estágio IIb com fatores de risco e em estágios III/IV, em combinação com etoposídeo, ciclofosfamida, doxorrubicina, dacarbazina e dexametasona.

A Takeda também vem explorando o potencial do Adcetris em outras formas de linfoma e neoplasias hematológicas, o que pode ampliar de forma relevante o mercado endereçável do produto ao longo dos próximos anos. Nesse contexto, analistas avaliam que o medicamento ainda tem espaço para expandir seu market share, especialmente em segmentos de maior complexidade terapêutica.

Com base nesse cenário de expansão clínica, novas aprovações e fortalecimento da base de evidências, o Adcetris se consolida como um dos principais pilares da estratégia da Takeda em oncologia hematológica e tende a manter a trajetória de crescimento e relevância no médio prazo.

Fonte: GlobalMedReport