Guerra no Oriente Médio força gigantes farmacêuticas a ativar planos globais de crise
À medida que aumentam os desdobramentos dos ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã no fim de semana, farmacêuticas com atuação no Oriente Médio intensificam o monitoramento da situação para proteger seus colaboradores e preservar o fornecimento de medicamentos na região.
Após semanas de mobilização militar americana, EUA e Israel lançaram ofensivas contra alvos iranianos em 28 de fevereiro. Teerã reagiu com ataques contra Israel e também contra países vizinhos que abrigam bases militares dos EUA, como Bahrein, Kuwait e Emirados Árabes Unidos. Em pronunciamento na Casa Branca, o presidente Donald Trump afirmou que a operação pode durar de quatro a cinco semanas, ou até mais.
Diante do cenário volátil e do risco de agravamento humanitário, companhias farmacêuticas globais com presença regional passaram a reforçar protocolos de segurança e planos de contingência para evitar interrupções no abastecimento. A região abriga operações estratégicas de diversas empresas, e a Arábia Saudita, em especial, tem atraído investimentos recentes no setor de biotecnologia, com iniciativas envolvendo companhias como Sanofi, Vertex Pharmaceuticals e CSL, dentro do plano do país de se consolidar como polo de inovação até 2040.
A alemã Boehringer Ingelheim informou que acompanha de perto os acontecimentos e que trabalha para assegurar a proteção de funcionários, parceiros e suas famílias, além de manter o acesso contínuo a medicamentos para humanos e animais. A companhia mantém escritório regional em Dubai e presença científica na Arábia Saudita, Egito e Argélia.
A suíça Roche declarou que todos os colaboradores nos países afetados estão em segurança e recebendo suporte. Segundo a empresa, a prioridade é proteger sua força de trabalho e mitigar riscos ao fornecimento de tratamentos e soluções diagnósticas essenciais. A Roche possui instalações em países como Israel, Jordânia, Kuwait, Líbano, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e também em Teerã.
Já a alemã Bayer manifestou preocupação com a escalada da violência e afirmou que seus cerca de 500 funcionários na região estão seguros, sem registros de danos físicos às instalações locais. A empresa atua no Oriente Médio há mais de um século e mantém operações próprias e parcerias de distribuição em diversos países.
A americana Merck & Co. informou que monitora continuamente suas operações e equipes no Oriente Médio. A dinamarquesa Novo Nordisk também confirmou que seus colaboradores nos países impactados estão em segurança, destacando como prioridade tanto a proteção dos funcionários quanto o fornecimento ininterrupto de medicamentos para doenças crônicas graves.
Por sua vez, a japonesa Takeda Pharmaceutical afirmou ter confirmado a segurança de seus profissionais na região e reiterou o compromisso de manter o acesso de pacientes aos seus tratamentos.
Enquanto o conflito evolui, as farmacêuticas seguem avaliando possíveis impactos logísticos e operacionais. O setor trabalha com planos de contingência para reduzir riscos de desabastecimento e garantir que terapias essenciais continuem chegando aos pacientes, mesmo em um ambiente geopolítico cada vez mais instável.
Fonte: FiercePharma