Exportações farmacêuticas da Índia registram maior queda em cinco anos após crise no Oriente Médio
As exportações farmacêuticas da Índia registraram uma queda de 23,17% em março, o maior recuo mensal em pelo menos cinco anos, impactadas pelos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre a logística global. O conflito comprometeu rotas marítimas, interrompeu importantes hubs de transporte aéreo e elevou significativamente os custos de frete. Segundo especialistas do setor, as perdas podem variar entre 25 bilhões e 50 bilhões de rúpias.
O desempenho negativo contrasta com o ritmo observado ao longo do ano fiscal de 2026, quando, nos primeiros 11 meses, as exportações haviam crescido 5,6%, alcançando US$ 28,29 bilhões. De acordo com Dinesh Dua, ex-presidente da Pharmexcil, o setor caminhava para um dos melhores resultados da história, com fluxo consistente de medicamentos genéricos para mercados como Estados Unidos, Europa e África, até ser impactado pela escalada do conflito em março. No acumulado do ano fiscal, o crescimento foi de 2,13%.
Os efeitos da crise vão além do abastecimento direto do Oriente Médio. Uma parcela relevante das exportações indianas para Europa, América do Norte e África depende de rotas que passam pelo Golfo, onde cidades como Dubai, Abu Dhabi e Doha funcionam como centros logísticos essenciais, especialmente para produtos sensíveis como biológicos, vacinas e medicamentos oncológicos, que exigem cadeia de frio rigorosa.
Com a intensificação das tensões, empresas de transporte que operam no Mar Vermelho, no Estreito de Ormuz e em corredores do Golfo passaram a aplicar sobretaxas entre US$ 3.500 e US$ 8.000 por envio, ou até mesmo suspender o transporte na região. Paralelamente, os custos de contêineres para importação de insumos farmacêuticos ativos vindos da China, utilizados em medicamentos como paracetamol, penicilina e metformina, dobraram rapidamente, passando de cerca de US$ 1.200 para US$ 2.400 por unidade.
O transporte aéreo também foi afetado. Fechamentos temporários de aeroportos em Dubai, Abu Dhabi e Doha, devido a riscos associados a ataques, forçaram o redirecionamento de cargas, muitas vezes por rotas terrestres via Arábia Saudita. Esse cenário aumentou o tempo de trânsito e elevou os riscos logísticos, especialmente para produtos que exigem controle rigoroso de temperatura.
Estimativas preliminares do setor indicam que o impacto financeiro das interrupções em março pode ter ficado entre US$ 300 milhões e US$ 500 milhões.
Fonte: ET Pharma