CEO da Novartis cobra revisão ampla na política de preços de medicamentos na Europa
O CEO da Novartis, Vas Narasimhan, voltou a defender mudanças estruturais no modelo europeu de precificação de medicamentos, alertando que o atual cenário pode atrasar a chegada de novos tratamentos ao continente.
As declarações reforçam críticas já feitas por executivos de outras grandes farmacêuticas, como Roche e AstraZeneca, que apontam barreiras regulatórias e políticas de saúde como entraves à inovação. Recentemente, o CEO da Roche, Thomas Schinecker, classificou o nível de burocracia na Europa como excessivo e afirmou que a região vem perdendo competitividade frente aos Estados Unidos e à China.
O debate ocorre em um momento de mudanças relevantes no cenário global. Empresas como Novartis, Roche e AstraZeneca firmaram acordos baseados no modelo de “Nação Mais Favorecida” (NMF) com os EUA, enquanto o governo americano pressiona países desenvolvidos a ampliarem seus investimentos em medicamentos inovadores. Paralelamente, a Alemanha anunciou um pacote de reformas voltado à redução de custos em saúde, incluindo medidas que impactam diretamente os preços de medicamentos de marca.
Durante a divulgação dos resultados trimestrais da Novartis, Narasimhan destacou que políticas restritivas podem desencorajar investimentos em pesquisa, ensaios clínicos e produção na Europa. Segundo ele, enquanto EUA e China fortalecem seus ecossistemas de inovação, medidas de contenção de gastos no continente europeu enviam sinais negativos para o setor.
Dados recentes indicam que o ambiente regulatório já começa a produzir efeitos. Um relatório da GlobalData aponta que o lançamento de novos medicamentos na Europa caiu cerca de 35% desde a proposta do modelo NMF pelos Estados Unidos.
Diante desse cenário, o executivo defende uma revisão ampla dos sistemas de reembolso e precificação no continente. Para ele, garantir remuneração adequada à inovação será essencial para manter a atratividade da Europa como polo farmacêutico global e evitar atrasos no acesso a novas terapias.
Fonte: FiercePharma