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Reino Unido enfrenta aumento da escassez de medicamentos e impacto no atendimento

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Uma crescente escassez de medicamentos na Inglaterra tem colocado pacientes em situação crítica e exposto fragilidades estruturais no sistema de abastecimento. Chloe, de 29 anos, que vive com epilepsia, relata episódios frequentes de pânico diante da dificuldade de encontrar a lamotrigina, essencial para prevenir convulsões potencialmente fatais. O problema não é isolado. Pacientes com diversas condições, como doenças cardíacas, risco de AVC, infecções oculares, transtorno bipolar e TDAH, também enfrentam dificuldades para acessar tratamentos essenciais. Em muitos casos, os pacientes percorrem várias farmácias sem sucesso, em um cenário que especialistas classificam como o mais crítico dos últimos anos.

Entre os fatores que explicam a escassez estão o aumento dos preços globais dos medicamentos e um modelo de reembolso considerado ineficiente. No Reino Unido, o NHS (Serviço Nacional de Saúde) paga às farmácias um valor fixo por medicamento dispensado. Quando os custos de aquisição superam esse valor, os produtos são incluídos em uma lista de concessões de preço, que atingiu um recorde de 210 itens em abril. Ainda assim, o reajuste nem sempre acompanha a velocidade das variações do mercado, levando farmácias a operarem com prejuízo.

Esse descompasso impacta diretamente a disponibilidade de medicamentos. Para reduzir perdas, muitos estabelecimentos limitam seus estoques, aumentando o risco de desabastecimento. Farmacêuticos relatam prejuízos recorrentes, em alguns casos, com perdas significativas anuais, o que compromete a sustentabilidade dos negócios. Desde 2017, cerca de 1.500 farmácias fecharam na Inglaterra, refletindo a pressão econômica sobre o setor.

A situação também afeta pacientes com doenças crônicas. Chris Henry, de 49 anos, que utiliza CoCareldopa para tratar Parkinson, relata preocupação com a possibilidade de interrupção do tratamento, que pode comprometer severamente seu controle motor e qualidade de vida.

O aumento dos custos de produção e logística, impulsionado por fatores como energia, transporte e insumos derivados do petróleo, também contribui para a crise. Além disso, fabricantes têm priorizado mercados mais rentáveis, reduzindo a oferta no Reino Unido, onde os preços são considerados baixos em comparação com outros países da Europa Ocidental.

Especialistas apontam que, sem reformas no sistema de precificação e reembolso, a escassez tende a persistir. Representantes do setor defendem ajustes mais ágeis nos preços e maior incentivo à sustentabilidade da cadeia de suprimentos. Enquanto isso, pacientes e profissionais de saúde seguem lidando com incertezas e riscos crescentes no acesso a tratamentos essenciais.

Fonte: BBC