A fabricante de produtos médicos Convatec vê inflação de custos dobrar após alta do petróleo provocada por conflito no Irã
A Convatec informou nesta quinta-feira uma desaceleração no crescimento orgânico de sua receita nos primeiros meses de 2026 e alertou para um aumento relevante nos custos em 2027 devido aos impactos da guerra entre EUA e Irã. A preocupação com a pressão sobre as despesas fez as ações da companhia caírem cerca de 8%, liderando as perdas do índice FTSE 100 em Londres.
Segundo a empresa britânica de dispositivos e produtos médicos, o crescimento orgânico da receita foi de 1,6% nos quatro meses encerrados em 30 de abril, abaixo dos 6,2% registrados no mesmo período do ano anterior. A companhia atribuiu parte da desaceleração ao adiamento de pedidos por parte de clientes.
O CEO Jonny Mason afirmou que o conflito no Oriente Médio elevou fortemente os preços do petróleo, aumentando os custos de matérias-primas derivadas de petroquímicos, como plásticos e polímeros utilizados na fabricação de curativos, bolsas de ostomia e conjuntos de infusão produzidos pela empresa.
Apesar do cenário, a Convatec manteve suas projeções financeiras para 2026. Segundo Mason, a companhia ainda consegue absorver a pressão inflacionária atual graças a mecanismos internos de controle de custos e à proteção cambial contratada para este ano.
No entanto, a empresa já prevê um cenário mais desafiador para 2027. A expectativa é de que a inflação de custos alcance cerca de 6%, o dobro do inicialmente projetado, o que pode gerar um impacto adicional entre US$ 20 milhões e US$ 30 milhões nas despesas da companhia.
Analistas do JPMorgan avaliaram que, embora a empresa não deva alterar suas projeções imediatamente, o crescimento de apenas 1,6% exigirá uma aceleração significativa nas vendas ao longo do restante do semestre para atingir as expectativas do mercado.
A Convatec aposta no lançamento de novos produtos e em uma recuperação mais forte no segundo semestre para impulsionar o desempenho operacional nos próximos meses.
Fonte: Reuters