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Farmacêuticas globais pressionam Japão a reagir ao avanço da China em biotecnologia

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Com avanço da China na biotecnologia, líderes farmacêuticos pressionam Japão a reforçar investimentos em inovação

Executivos de algumas das maiores farmacêuticas globais se reuniram nesta semana com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, para discutir estratégias que possam fortalecer a competitividade do país no setor de ciências da vida diante do avanço acelerado da China em pesquisa e desenvolvimento biofarmacêutico.

O encontro contou com a participação de mais de 20 líderes da indústria farmacêutica do Japão, Estados Unidos e Europa e foi organizado pela Federação Internacional das Associações e Fabricantes de Produtos Farmacêuticos (IFPMA). Segundo Thomas Schinecker, CEO da Roche e presidente da BioPharmaceutical CEO Roundtable (BCR), o objetivo foi debater medidas para preservar o protagonismo japonês em inovação farmacêutica.

De acordo com Schinecker, os investimentos em medicamentos e vacinas inovadoras são estratégicos não apenas para os sistemas de saúde, mas também para o crescimento econômico, a segurança nacional e a resiliência do Japão. O executivo alertou ainda para a perda gradual de participação do país no cenário global de P&D biofarmacêutico e para o risco de aumento da diferença no acesso dos pacientes japoneses a terapias inovadoras.

Nos últimos dez anos, as farmacêuticas investiram cerca de 14 trilhões de ienes, aproximadamente US$ 87,9 bilhões, em pesquisa e desenvolvimento no Japão, resultando em mais de 1.200 novos medicamentos, segundo dados da IFPMA. Apesar disso, a entidade afirma que mudanças regulatórias e o aumento da concorrência internacional vêm reduzindo a atratividade do país para projetos em estágio inicial e ensaios clínicos, que têm migrado para outros mercados.

A associação também destacou preocupação com a política norte-americana conhecida como “Nação Mais Favorecida”, que busca alinhar os preços dos medicamentos nos EUA aos praticados em países de alta renda. Na avaliação da IFPMA, a medida pode ampliar a pressão sobre o mercado japonês e aumentar sua desvantagem competitiva, especialmente diante das frequentes revisões das regras de precificação de medicamentos no país.

Diante desse cenário, líderes da indústria defendem que o governo japonês amplie os investimentos em medicamentos inovadores como forma de reduzir a chamada “lacuna de inovação” e preservar a competitividade nacional no setor farmacêutico.

Hiroyuki Okuzawa, CEO da Daiichi Sankyo e vice-presidente da BCR, reforçou que o Japão continua sendo um dos principais polos históricos de inovação farmacêutica e terá papel fundamental no enfrentamento de desafios demográficos, sanitários e geopolíticos nas próximas décadas.

Após a reunião, Schinecker classificou o encontro com autoridades japonesas como “construtivo e valioso”, ressaltando que a mensagem do setor foi clara: investir em inovação em saúde é essencial para o desenvolvimento econômico e social do país.

A preocupação com a perda de protagonismo do Japão ocorre em meio ao fortalecimento da China como potência em biotecnologia. Diversos países e empresas vêm ampliando investimentos no mercado chinês nos últimos anos. Um dos exemplos recentes foi a AstraZeneca, que anunciou um plano de investimento de US$ 15 bilhões na China até 2030, focado em descoberta de medicamentos, desenvolvimento clínico e produção local.

Fonte: FiercePharma