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Alta da platina leva Índia a revisar preços de tratamentos contra o câncer

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O governo da Índia autorizou a revisão dos preços de medicamentos oncológicos à base de platina, em resposta à escassez desses tratamentos no país. A medida ocorre após o aumento expressivo dos custos da matéria-prima utilizada na fabricação de fármacos como cisplatina e carboplatina, amplamente empregados no tratamento de cânceres de pulmão, ovário e vesícula biliar.

Segundo documento obtido pela Reuters, o Departamento de Produtos Farmacêuticos aprovou um pedido da Autoridade Nacional de Preços de Produtos Farmacêuticos (NPPA) para reajustar os preços desses medicamentos com base em dispositivos legais aplicáveis em situações excepcionais de interesse público.

A decisão foi motivada pela crescente dificuldade de abastecimento enfrentada por hospitais indianos, especialmente da rede pública. Nos últimos meses, pacientes relataram dificuldades para encontrar os medicamentos, enquanto fabricantes reduziram ou interromperam temporariamente a produção devido à elevação dos custos da platina e à impossibilidade de repassar integralmente esse aumento aos preços regulados pelo governo.

Especialistas do setor apontam que o preço da platina mais que dobrou recentemente, impulsionado por restrições na oferta global, aumento da demanda industrial e redução dos estoques disponíveis. O metal também vem ganhando espaço na indústria automotiva como alternativa ao paládio, pressionando ainda mais o mercado.

Entre os fabricantes afetados estão empresas como Cipla, Intas Pharmaceuticals, Naprod Life Sciences e Venus Remedies, importantes fornecedoras de medicamentos quimioterápicos no país.

Além dos tratamentos oncológicos, o governo indiano também autorizou a revisão dos preços de duas formulações de imunoglobulina antitetânica injetável, igualmente impactadas pelo aumento dos custos dos ingredientes farmacêuticos ativos.

A definição dos novos valores caberá agora à NPPA, órgão regulador responsável pela política de preços de medicamentos na Índia.

Fonte: Reuters