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Estratégia adotada no Reino Unido impulsiona pressão da indústria farmacêutica sobre a Europa

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As grandes farmacêuticas estão intensificando a pressão sobre governos europeus em meio aos debates sobre controle de preços de medicamentos, utilizando uma estratégia que já trouxe resultados positivos no Reino Unido: sinalizar a redução ou suspensão de investimentos para influenciar decisões regulatórias.

O foco mais recente dessa disputa é a Alemanha, onde está em discussão uma reforma destinada a conter o crescimento dos gastos públicos com medicamentos. O movimento ocorre após o setor considerar uma vitória o acordo firmado entre Reino Unido e Estados Unidos, que incluiu compromissos britânicos de ampliar os investimentos em medicamentos inovadores em troca de benefícios comerciais relacionados às tarifas norte-americanas.

Nos últimos meses, diversas empresas alertaram para possíveis impactos em seus planos de expansão caso as novas regras alemãs sejam aprovadas. A Pfizer informou ao governo alemão que seus investimentos no país podem ser afetados pelo ambiente de precificação. A AstraZeneca afirmou que poderá reavaliar o lançamento de novos medicamentos no mercado alemão, enquanto a Eli Lilly anunciou a redução pela metade de um investimento previsto de € 2,3 bilhões. Já a Boehringer Ingelheim comunicou o cancelamento de um projeto de expansão avaliado em € 900 milhões.

A pressão do setor parece já produzir efeitos. Segundo informações divulgadas por uma fonte do governo à Reuters, a Alemanha pretende abandonar uma das medidas mais criticadas pela indústria: o mecanismo de descontos variáveis sobre medicamentos. A proposta deve ser substituída por um sistema de descontos fixos, considerado mais previsível para as empresas e investidores.

Apesar do ajuste, representantes da indústria afirmam que a mudança não elimina todas as preocupações relacionadas ao ambiente regulatório e à política de preços do país. O projeto de lei continuará em discussão no Parlamento alemão nos próximos meses e ainda poderá sofrer alterações.

Especialistas avaliam que o embate reflete uma disputa mais ampla entre governos europeus e a indústria farmacêutica. Enquanto os sistemas públicos de saúde buscam controlar despesas crescentes, as empresas argumentam que políticas de preços mais restritivas podem reduzir a atratividade da Europa para investimentos em pesquisa, desenvolvimento e lançamentos de novos medicamentos.

O cenário é agravado por fatores externos, como a política norte-americana de preços de medicamentos, que busca alinhar os valores praticados nos Estados Unidos aos de outros países desenvolvidos. Para analistas do setor, essa iniciativa aumenta a pressão para reajustes de preços na Europa, justamente em um momento em que o continente enfrenta concorrência crescente da China na atração de investimentos biofarmacêuticos.

As tensões não se restringem à Alemanha. Na França, autoridades de saúde acusaram farmacêuticas de utilizar pressão excessiva durante processos de avaliação de medicamentos, incluindo ameaças de retirada de produtos do mercado. Na Holanda, representantes do setor biotecnológico alertaram que condições menos favoráveis de reembolso podem reduzir a prioridade do país nos lançamentos globais de novos tratamentos.

Embora críticos vejam o recuo parcial da Alemanha como um sinal da influência crescente da indústria farmacêutica sobre as políticas públicas, especialistas destacam que os governos europeus continuam exercendo poder de negociação relevante por representarem mercados estratégicos para o setor, mesmo que menos lucrativos do que os Estados Unidos.

Segundo analistas de saúde, o debate atual poderá definir o equilíbrio entre sustentabilidade dos sistemas públicos, acesso a medicamentos inovadores e manutenção da competitividade da Europa no cenário global de inovação farmacêutica.

Fonte: Reuters