AstraZeneca e Bristol Myers Squibb negociam megafusão de US$ 400 bilhões
A AstraZeneca e a Bristol Myers Squibb (BMS) estariam em negociações para uma possível fusão que poderá criar uma das maiores farmacêuticas do mundo, segundo informações publicadas pelo Financial Times. A operação, estimada em cerca de US$ 400 bilhões, uniria duas líderes globais em oncologia e resultaria na quarta maior empresa farmacêutica em valor de mercado.
De acordo com a publicação, as conversas vêm ocorrendo há vários meses e um acordo poderá ser anunciado nas próximas semanas, embora as negociações ainda possam ser adiadas ou até mesmo não serem concluídas.
Atualmente, a AstraZeneca possui valor de mercado de aproximadamente US$ 264 bilhões, enquanto a Bristol Myers Squibb é avaliada em cerca de US$ 133 bilhões. Após a divulgação da notícia, as ações da AstraZeneca recuaram cerca de 7% na Bolsa de Londres, enquanto os papéis da BMS avançaram mais de 6% no pré-mercado norte-americano.
Caso seja concretizada, a fusão reforçaria significativamente a presença da AstraZeneca nos Estados Unidos, mercado responsável por quase metade de sua receita, além de ampliar sua posição de liderança na oncologia. A companhia também busca acelerar sua trajetória de crescimento para atingir a meta de US$ 80 bilhões em receita anual até 2030, ante os US$ 58,7 bilhões registrados em 2025.
A eventual transação seria liderada pelo CEO da AstraZeneca, Pascal Soriot, responsável por conduzir a estratégia de expansão da empresa nos últimos anos. Paralelamente, a companhia vem fortalecendo seu pipeline por meio de acordos de licenciamento e parcerias, especialmente com empresas chinesas.
Para a Bristol Myers Squibb, a combinação representaria uma oportunidade de reforçar seu crescimento diante da perda de exclusividade de importantes medicamentos e da necessidade de renovar seu portfólio, após a aquisição da Celgene, realizada em 2019.
Analistas avaliam, contudo, que uma operação dessa magnitude deverá enfrentar rigorosa análise das autoridades regulatórias, principalmente em razão da forte presença das duas empresas no mercado de oncologia. Medicamentos como Imfinzi, da AstraZeneca, e Opdivo, da Bristol Myers Squibb, competem em importantes indicações terapêuticas, especialmente no tratamento do câncer de pulmão, o que poderá atrair atenção dos órgãos antitruste.
Se aprovada, a fusão entrará para a lista das maiores transações já realizadas pela indústria farmacêutica e poderá redefinir o cenário competitivo global do setor.
Fonte: Panorama Farmacêutico