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O sucesso da Merck em parceria com a Moderna na vacina contra o câncer impulsiona as ações e aumenta as expectativas de um impacto semelhante ao do Keytruda

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O resultado positivo de fase 3 da vacina personalizada contra o câncer desenvolvida pela Moderna em parceria com a Merck elevou fortemente as expectativas em torno do potencial comercial da tecnologia. Após o anúncio, as ações da Moderna dispararam 177%, adicionando cerca de US$ 45 bilhões ao valor de mercado da empresa, enquanto os papéis da Merck avançaram quase 13%.

Com a reação dos mercados, analistas passaram a avaliar se o intismeran autogene, nome dado à vacina, poderá alcançar uma abrangência semelhante à do Keytruda, principal produto da Merck e um dos medicamentos mais vendidos do mundo, com receitas anuais superiores a US$ 30 bilhões.

O estudo de fase 3 INTerpath-001 avaliou a vacina em combinação com o Keytruda como tratamento adjuvante para pacientes com melanoma de alto risco de recorrência após a remoção cirúrgica do tumor. Embora os resultados completos ainda não tenham sido divulgados, os dados anunciados indicaram que a combinação atingiu o principal objetivo do estudo, reduzindo o risco de retorno ou disseminação da doença.

Para analistas da Guggenheim Securities, apenas a indicação em melanoma adjuvante poderia gerar mais de US$ 2 bilhões em vendas anuais. No entanto, a expansão para outros tipos de câncer será fundamental para justificar as novas expectativas de mercado em relação à Moderna e à Merck.

A principal questão agora é justamente o alcance da tecnologia. Analistas da William Blair avaliam que os resultados do INTerpath-001 reduziram parte do risco associado ao desenvolvimento do intismeran e devem levar o mercado a discutir se a vacina poderá apresentar eficácia em diferentes tipos e estágios de câncer, de forma semelhante ao amplo uso do Keytruda.

A Merck levou anos para expandir o Keytruda para uma extensa lista de indicações, transformando o medicamento em um dos principais motores de crescimento da companhia. David Berman, diretor de desenvolvimento da Moderna, afirmou recentemente que existem motivos crescentes para acreditar que o intismeran poderá funcionar em tumores que respondem aos inibidores de checkpoint, como o Keytruda. A dúvida, segundo o executivo, é se a tecnologia também será capaz de atuar em tumores nos quais esses tratamentos apresentam resultados mais limitados.

As expectativas financeiras já começaram a refletir esse potencial. Com base nos resultados de fase 3, analistas da William Blair estimam que a Moderna poderá obter cerca de US$ 5,4 bilhões em receitas com o intismeran para melanoma até 2040, considerando sua participação de 50% nos lucros do produto em parceria com a Merck.

As projeções também contemplam uma expansão significativa para outros tumores. O modelo da William Blair prevê, para 2040, aproximadamente US$ 10 bilhões em vendas para câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC) e US$ 3,3 bilhões para carcinoma de células renais (CCR). O potencial poderá ser ainda maior caso a tecnologia demonstre eficácia em tumores com poucas opções terapêuticas, como o câncer de pâncreas.

Merck e Moderna mantêm atualmente nove estudos de fase 2 e 3 com o intismeran, ampliando a avaliação da tecnologia para diferentes tipos de câncer. Entre os principais programas estão estudos em CPNPC e carcinoma de células renais, além de pesquisas em câncer de bexiga, rim, pâncreas e estômago.

Para a Moderna, o avanço representa uma oportunidade estratégica de diversificar seus negócios, que ainda enfrentam dificuldades com a queda da demanda pelas vacinas contra a Covid-19. Para a Merck, o sucesso da vacina também pode ajudar a sustentar o crescimento do portfólio oncológico à medida que o Keytruda se aproxima da perda de exclusividade e da possível entrada de biossimilares, prevista a partir de 2028.

Apesar do entusiasmo do mercado, analistas alertam que os dados divulgados até agora ainda são insuficientes para determinar o real potencial comercial do produto. A análise completa dos resultados do estudo será importante para avaliar a magnitude do benefício clínico. Segundo a William Blair, uma razão de risco de 0,65 ou inferior poderia demonstrar uma vantagem mais robusta, enquanto um resultado acima de 0,75 teria menor impacto sobre as expectativas.

O desempenho das ações de outras empresas também refletiu o entusiasmo em torno da tecnologia. Os papéis da Arcturus Therapeutics e da BioNTech subiram mais de 20% após o anúncio, diante da percepção de que resultados positivos da Moderna e da Merck podem aumentar o interesse dos investidores no desenvolvimento de vacinas personalizadas contra o câncer e em plataformas de RNA mensageiro.

O próximo passo será determinar se o resultado positivo observado no melanoma poderá ser reproduzido em outros tumores. Caso isso aconteça, a vacina personalizada poderá deixar de ser apenas uma nova opção para uma indicação específica e se transformar em uma plataforma oncológica de amplo alcance, com potencial para complementar ou até ampliar significativamente o mercado hoje dominado pelo Keytruda.

Fonte: FierceBiotech