Home / Medicamentos / Uso e aprovacoes / Keytruda conquista primeira indicação em câncer de ovário nos EUA

Keytruda conquista primeira indicação em câncer de ovário nos EUA

Freepik
 Freepik

Apesar de seu amplo sucesso em diversos tipos de câncer, o Keytruda, blockbuster da Merck que atua contra o PD-1, ainda não havia conquistado espaço em uma das áreas mais desafiadoras da oncologia: o câncer de ovário. Esse cenário muda agora, 13 anos após sua primeira aprovação pela FDA para melanoma, com o aval da agência americana para uso do medicamento como terapia de segunda ou terceira linha em um subgrupo específico da doença.

Com a decisão, o Keytruda torna-se o primeiro inibidor de checkpoint imunológico aprovado para câncer de ovário recorrente resistente à platina. A indicação contempla pacientes com carcinoma de ovário, trompa de Falópio ou peritônio primário com tumores PD-L1 positivos. O tratamento deve ser administrado em combinação com paclitaxel, com ou sem o anticorpo Avastin (bevacizumabe), da Roche.

A aprovação inclui tanto a formulação intravenosa quanto a versão subcutânea, Keytruda Qlex, liberada pela FDA há cinco meses.

O sinal verde regulatório foi sustentado por um estudo de fase 3 que demonstrou benefícios clínicos relevantes. Entre pacientes PD-L1 positivos, o regime com Keytruda, associado ou não ao Avastin, reduziu em 28% o risco de progressão da doença ou morte em comparação ao grupo que recebeu placebo com paclitaxel (com ou sem Avastin). Também houve redução de 24% no risco de morte.

A mediana de sobrevida livre de progressão foi de 8,3 meses no grupo tratado com Keytruda, frente a 7,2 meses no grupo controle. Já a mediana de sobrevida global alcançou 18,2 meses com o imunoterápico, contra 14 meses no braço placebo.

Segundo Bradley Monk, diretor médico do Programa de Pesquisa Clínica em Estágio Avançado do Florida Cancer Specialists and Research Institute, a resistência à platina representa um ponto crítico na jornada das pacientes. Ele destacou que, nesse estágio, as opções terapêuticas se tornam limitadas e a progressão pode ocorrer rapidamente, tornando a nova aprovação uma alternativa relevante para ampliar o tempo de controle da doença.

Para a Merck, a decisão representa um marco estratégico. Gursel Aktan, vice-presidente de desenvolvimento clínico da empresa, afirmou que a introdução do primeiro inibidor de PD-1 nesse cenário amplia as possibilidades terapêuticas para pacientes com câncer de ovário resistente à platina.

O estudo incluiu 643 pacientes, dos quais 72% apresentavam tumores PD-L1 positivos. Cerca de 73% receberam Avastin durante o ensaio, e 46% já haviam sido previamente tratadas com o medicamento.

Os resultados foram apresentados no Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO), onde especialistas classificaram o regime com Keytruda como um possível novo padrão de tratamento para essa população. Curiosamente, análises de subgrupo indicaram benefício ainda mais expressivo em pacientes PD-L1 negativos, com melhora de 44% na sobrevida livre de progressão. Ainda assim, esse grupo não foi incluído na indicação aprovada pela FDA.

No campo comercial, o Keytruda segue como pilar central da Merck. A companhia projetou vendas de US$ 31,7 bilhões para 2025, alta de 7% sobre o ano anterior, o que representa quase metade de sua receita total. O medicamento liderou o ranking global de vendas em 2023 e 2024, antes de ser ultrapassado pelos produtos à base de tirzepatida da Eli Lilly, que somaram US$ 36,5 bilhões no último ano.

Fonte: FiercePharma