FDA aprova Trodelvy em primeira linha para câncer de mama triplo-negativo
A disputa entre os conjugados anticorpo-fármaco (ADCs) direcionados à TROP2 no tratamento de primeira linha do câncer de mama triplo-negativo (CMTN) ganhou um novo capítulo. Menos de um mês após a aprovação do Datroway, desenvolvido pela Daiichi Sankyo e pela AstraZeneca, a FDA também aprovou o uso do Trodelvy, da Gilead Sciences, para pacientes com doença metastática em primeira linha.
Com a nova autorização, o Trodelvy pode ser utilizado como monoterapia em pacientes que não são elegíveis para terapias anti-PD-1/PD-L1 ou em combinação com o Keytruda para pacientes com tumores PD-L1 positivos. A aprovação amplia significativamente o alcance do ADC da Gilead no cenário inicial do tratamento do CMTN.
A decisão regulatória foi baseada em dois estudos de fase 3. No estudo Ascent-03, o Trodelvy reduziu em 38% o risco de progressão da doença ou morte em comparação à quimioterapia em pacientes inelegíveis para tratamento com inibidores de PD-L1. Já no estudo Ascent-04 (Keynote-D19), a combinação de Trodelvy com Keytruda proporcionou uma redução de 35% no risco de progressão da doença em comparação ao regime composto por Keytruda e quimioterapia em pacientes com tumores PD-L1 positivos.
A Gilead destaca ainda a experiência acumulada com o medicamento, aprovado inicialmente em 2020 para pacientes previamente tratados com câncer de mama triplo-negativo. Segundo a companhia, mais de 750 mil pacientes com câncer de mama já receberam tratamento com o Trodelvy em todo o mundo.
Apesar da nova aprovação, o Datroway mantém um diferencial importante entre pacientes PD-L1 negativos. No estudo de fase 3 Tropion-Breast02, o ADC demonstrou redução de 21% no risco de morte e de 43% no risco de progressão da doença em comparação à quimioterapia, tornando-se o primeiro ADC anti-TROP2 a demonstrar benefício significativo de sobrevida global nessa população.
Por outro lado, os dados de sobrevida global do estudo Ascent-03 ainda não estavam maduros no momento da análise primária. A Gilead atribui parte dessa limitação à elevada taxa de crossover observada no estudo, já que 82% dos pacientes do grupo controle que receberam tratamento subsequente acabaram utilizando Trodelvy.
A competição entre os dois ADCs deve se intensificar nos próximos anos. A AstraZeneca e a Daiichi Sankyo conduzem atualmente o estudo Tropion-Breast05, que avalia o Datroway em pacientes com doença PD-L1 positiva. Os resultados são esperados para 2027 e poderão ampliar ainda mais o escopo de utilização do medicamento no tratamento do câncer de mama triplo-negativo.
Fonte: FiercePharma