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FDA amplia uso de Padcev + Keytruda e redefine tratamento do câncer de bexiga músculo-invasivo

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A combinação de Padcev (enfortumabe vedotina) e Keytruda (pembrolizumabe) recebeu uma nova aprovação da FDA, ampliando sua utilização no tratamento do câncer de bexiga músculo-invasivo (MIBC). A decisão torna o esquema a primeira opção perioperatória indicada independentemente da elegibilidade do paciente para quimioterapia à base de cisplatina.

Com a nova indicação, a combinação pode ser utilizada como tratamento neoadjuvante antes da cirurgia, seguida de terapia adjuvante após a cistectomia, estendendo uma aprovação anterior que contemplava apenas pacientes inelegíveis para cisplatina. A autorização foi concedida em 10 de julho, mais de um mês antes da data prevista para decisão da FDA, refletindo o processo de revisão prioritária.

Desenvolvido em parceria pela Pfizer e pela Astellas, o Padcev é um conjugado anticorpo-fármaco (ADC) direcionado à nectina-4, enquanto o Keytruda, da Merck, é um inibidor de PD-1 já amplamente utilizado em diferentes tipos de câncer.

A aprovação foi baseada nos resultados do estudo de fase III EV-304 (KEYNOTE-B15). No ensaio, o uso da combinação antes e após a cirurgia reduziu em 35% o risco de morte em comparação com a quimioterapia neoadjuvante padrão em pacientes elegíveis para cisplatina. O tratamento também diminuiu em 47% o risco de recorrência da doença, progressão ou morte, com 79,4% dos pacientes livres desses eventos após dois anos, frente a 66,2% no grupo tratado apenas com quimioterapia.

Além disso, 55,8% dos pacientes tratados com Padcev e Keytruda alcançaram resposta patológica completa, sem evidência de tumor nos tecidos removidos durante a cirurgia, índice superior aos 32,5% observados no grupo controle.

Até então, a única imunoterapia aprovada para uso perioperatório no MIBC era o Imfinzi (durvalumabe), da AstraZeneca, autorizado em 2025 com base no estudo NIAGARA. Entretanto, como o regime inclui quimioterapia com cisplatina, seu uso permanece restrito aos pacientes elegíveis para esse tratamento. Nesse estudo, o esquema reduziu em 32% o risco de eventos relacionados à doença, aumentou a sobrevida global em 25% e elevou a taxa de resposta patológica completa para 33,8%, em comparação com 25,8% da quimioterapia isolada.

A AstraZeneca também busca expandir o uso do Imfinzi para pacientes inelegíveis à cisplatina. Recentemente, a empresa anunciou resultados positivos do estudo de fase III VOLGA, embora os dados completos ainda não tenham sido divulgados. Atualmente, estima-se que cerca de metade dos pacientes com câncer de bexiga músculo-invasivo seja considerada inelegível para esse tipo de quimioterapia.

As empresas também continuam investindo na ampliação das indicações da combinação Padcev-Keytruda. A Astellas iniciou o estudo de fase III EV-309, que avaliará o regime em pacientes com câncer de bexiga músculo-invasivo candidatos à preservação da bexiga.

O avanço clínico tem sido acompanhado por forte desempenho comercial. No ano fiscal de 2025, encerrado em março, o Padcev registrou vendas de 221 bilhões de ienes (cerca de US$ 1,37 bilhão), crescimento de 35% em relação ao ano anterior, impulsionado principalmente pela expansão do tratamento de primeira linha no câncer de bexiga.

Fonte: FiercePharma