Lilly amplia uso do Inluriyo e fortalece posição na disputa dos SERDs orais
A Eli Lilly recebeu aprovação da FDA para expandir o uso do Inluriyo (imlunestrant) em combinação com o Verzenio (abemaciclib) no tratamento de pacientes com câncer de mama avançado ou metastático ER-positivo, HER2-negativo e com mutação ESR1. A decisão reforça a posição da companhia em um mercado cada vez mais competitivo de degradadores seletivos do receptor de estrogênio (SERDs) orais.
A nova indicação amplia o alcance do Inluriyo, que já havia sido aprovado anteriormente como monoterapia para pacientes previamente tratados com câncer de mama ER+/HER2- portadores de mutação ESR1. Com a inclusão de Verzenio, a Lilly passa a oferecer uma combinação que demonstrou ganhos expressivos de eficácia em relação ao uso isolado do SERD.
A aprovação foi baseada nos resultados do estudo de fase 3 EMBER-3, no qual a combinação Inluriyo-Verzenio alcançou mediana de sobrevida livre de progressão (SLP) de 11,1 meses, contra 5,5 meses para o Inluriyo utilizado sozinho. O resultado corresponde a uma redução de 47% no risco de progressão da doença ou morte.
Embora os dados de eficácia já fossem conhecidos desde o final de 2024, a FDA inicialmente aprovou apenas a monoterapia devido à imaturidade dos dados de sobrevida global do braço de combinação. Segundo a Lilly, as análises mais recentes continuam mostrando uma tendência favorável para o regime combinado.
A aprovação fortalece a estratégia da companhia em um momento de intensificação da concorrência com a AstraZeneca. Neste mês, o FDA aprovou de forma acelerada o Etcamah (camizestrant), da farmacêutica britânica, em combinação com um inibidor de CDK4/6 para pacientes que desenvolvem mutação ESR1 durante o tratamento de primeira linha, antes mesmo da progressão clínica da doença.
A diferença entre as abordagens tem alimentado o debate entre especialistas. A estratégia da AstraZeneca se baseia no monitoramento periódico do DNA tumoral circulante (ctDNA) para identificar o surgimento da mutação ESR1 e promover uma troca antecipada da terapia. Já a Lilly defende a manutenção do tratamento até a progressão clínica, seguida da introdução do SERD oral.
No estudo SERENA-6, da AstraZeneca, a combinação contendo Etcamah alcançou mediana de SLP de 16 meses, comparada a 9,2 meses para pacientes que permaneceram no tratamento inicial. Por sua vez, o EMBER-3 demonstrou 11,1 meses de SLP para a combinação Inluriyo-Verzenio em um cenário de segunda linha. Embora os resultados não possam ser comparados diretamente devido às diferenças entre os estudos e populações avaliadas, a Lilly argumenta que sua estratégia maximiza o tempo total de controle da doença ao longo das diferentes linhas terapêuticas.
A aprovação também reforça a liderança comercial do Inluriyo dentro da categoria. Segundo a companhia, menos de um ano após seu lançamento, o medicamento já responde por mais da metade dos novos tratamentos iniciados com SERDs orais em pacientes com câncer de mama metastático ER+/HER2- e mutação ESR1.
Enquanto a disputa no cenário metastático avança, o foco da indústria começa a migrar para o câncer de mama em estágio inicial, considerado o maior mercado potencial para essa classe de medicamentos. O interesse aumentou após resultados decepcionantes de estudos de primeira linha com o Etcamah e o giredestrant, da Roche, em doença avançada.
Nesse contexto, a Lilly continua investindo no estudo de fase 3 EMBER-4, que avalia o Inluriyo como terapia adjuvante em pacientes que já receberam entre dois e cinco anos de tratamento endócrino. A AstraZeneca e a Roche também mantêm programas avançados nessa área.
Para a Lilly, a tolerabilidade poderá ser um dos principais fatores de diferenciação no futuro. Como os tratamentos adjuvantes costumam ser administrados por períodos de cinco a dez anos, a capacidade dos pacientes de permanecerem em tratamento será determinante para o sucesso clínico e comercial dos SERDs orais.
Com a nova aprovação, a companhia fortalece seu portfólio em oncologia e amplia sua vantagem em uma das categorias mais disputadas do tratamento do câncer de mama hormônio-positivo.
Fonte: FiercePharma