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TrumpRx não entrega os preços mais baixos do mundo, aponta investigação

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Uma das principais promessas do presidente Donald Trump para reduzir os preços de medicamentos nos Estados Unidos estava atrelada ao lançamento da plataforma TrumpRx, baseada no princípio da “nação mais favorecida” (MFN), que compara valores praticados no país com preços internacionais.

No entanto, uma investigação conduzida pelo The New York Times em parceria com veículos europeus indicou que a promessa de oferecer “os preços mais baixos do mundo” pode não se sustentar em todos os casos. A análise mostrou que, em comparações diretas, diversos medicamentos apresentam preços mais baixos em países como a Germany.

A iniciativa tem origem em uma ordem executiva assinada em 2025, na qual Trump determinou que os preços nos EUA deveriam se alinhar aos praticados internacionalmente, criticando o fato de os americanos pagarem significativamente mais por medicamentos. A expectativa anunciada era de reduções entre 30% e 80%.

Como parte dessa estratégia, grandes farmacêuticas foram pressionadas a aderir ao modelo e vender seus produtos por meio de canais diretos ao consumidor. A Pfizer foi a primeira a participar, seguida por outras empresas do setor.

Apesar disso, testes independentes levantaram inconsistências. Ao analisar o preço do Wegovy, da Novo Nordisk, o valor na TrumpRx ficou abaixo do praticado no Canadá, mas ainda superior ao de países como Alemanha, Reino Unido e Japão. Em alguns casos, a diferença é ainda mais expressiva. Para o medicamento Ngenla, da Pfizer, o sistema público alemão paga significativamente menos do que consumidores americanos utilizando descontos da plataforma.

Por outro lado, há exceções. O biossimilar Abrilada, também da Pfizer, apresentou preço inferior na TrumpRx em comparação ao mercado alemão antes de descontos.

Em terapias para obesidade, a discrepância também chama atenção. O Zepbound, da Eli Lilly, custa menos no Japan do que na plataforma americana, mesmo para pacientes pagando do próprio bolso.

Autoridades da Casa Branca argumentaram que as comparações devem considerar o poder de compra e o custo de vida em cada país. A própria Eli Lilly reforçou esse ponto, destacando que preços absolutos não refletem necessariamente acessibilidade.

Ainda assim, o modelo tem sido alvo de críticas políticas. Um relatório de parlamentares democratas do Comitê de Energia e Comércio da Câmara apontou que alternativas genéricas mais baratas já estão disponíveis para diversos medicamentos listados na plataforma. Além disso, descontos semelhantes já eram oferecidos por serviços como o GoodRx.

Organizações independentes também questionam o impacto real da iniciativa. O Center for American Progress concluiu que, entre os medicamentos analisados, apenas um apresentava vantagem clara de preço para pacientes sem seguro.

Atualmente, a TrumpRx reúne cerca de 54 medicamentos, mas não realiza vendas diretas. Em muitos casos, os produtos são adquiridos por meio das próprias plataformas das farmacêuticas ou com cupons que podem ser utilizados em farmácias. O GoodRx atua como parceiro tecnológico, permitindo a aplicação escalável de descontos.

Especialistas destacam que os principais beneficiados são pacientes que pagam integralmente pelos medicamentos, um grupo minoritário nos EUA, já que cerca de 85% da população possui algum tipo de cobertura. Para analistas acadêmicos, o modelo também favorece a indústria farmacêutica, que consegue manter preços elevados enquanto oferece descontos pontuais, reforçando a percepção de acessibilidade sem alterar estruturalmente o sistema.

Fonte: FiercePharma