Parceria entre Mercosul e União Europeia reposiciona setor farmacêutico globalmente
A recente aprovação, pelo Parlamento Europeu, do acordo comercial entre o Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, e a União Europeia marca um passo estratégico para o setor farmacêutico da região. Com a redução de barreiras tarifárias, a harmonização de normas e a facilitação do comércio, abre-se um horizonte promissor para exportações, inovação tecnológica e cooperação internacional.
Em termos de consumo de medicamentos, a União Europeia representa o maior mercado mundial, com exportações totais de medicamentos e produtos farmacêuticos atingindo 313,4 bilhões de euros em 2024, um aumento de 13,5% em relação ao ano anterior.
Esse mercado se destaca pela alta participação de medicamentos genéricos e biossimilares, que representam cerca de 60 a 70% do volume consumido. Essa predominância está diretamente ligada às políticas públicas que incentivam o uso de genéricos para reduzir custos na saúde, bem como ao crescente número de patentes expiradas.
Para as empresas farmacêuticas do Mercosul, esse segmento representa uma oportunidade estratégica: atender a uma demanda massiva em um mercado onde competitividade em custo, conformidade regulatória e capacidade produtiva são essenciais.
O acordo prevê o alinhamento das exigências regulatórias e facilita o acesso aos mercados europeus, incluindo medicamentos e ingredientes farmacêuticos ativos. Para empresas brasileiras e de outros países do Mercosul, isso significa uma abertura sem precedentes: ampliar o alcance comercial, aumentar a competitividade e integrar cadeias globais de valor.
No entanto, o sucesso nesse ambiente depende do cumprimento dos padrões técnicos e regulatórios adotados pela União Europeia, em especial os definidos pela European Medicines Agency (EMA) e pelas diretrizes internacionais do ICH.
O acordo Mercosul-União Europeia é muito mais que um tratado comercial: é uma oportunidade para reposicionar a indústria farmacêutica do Mercosul no cenário global, conectando-a ao maior mercado mundial de medicamentos, no qual a maioria do consumo corresponde a genéricos e biossimilares.
Fonte: PFARMA