Roche aposta em novos lançamentos para sustentar crescimento em oncologia e hematologia
Durante a Conferência de Saúde do JP Morgan 2026, a CEO da Roche Pharma, Teresa Graham, apresentou a estratégia da companhia para sustentar o crescimento nos próximos anos, com foco na renovação do portfólio de oncologia e hematologia e na expansão para novas áreas terapêuticas, como Alzheimer e obesidade, por meio de novas entidades moleculares (NMEs) e de um pipeline diversificado.
A empresa segue no caminho para cumprir suas metas financeiras de 2025. Até setembro de 2025, as vendas somaram CHF 35,6 bilhões (US$ 44,5 bilhões), sendo CHF 18 bilhões (US$ 22,5 bilhões) provenientes de oncologia e hematologia. O portfólio atual conta com 17 medicamentos de grande sucesso, com destaques em câncer de mama (Phesgo, Kadcyla, Perjeta e Itovebi), tumores sólidos (Tecentriq), linfoma difuso de grandes células B (Polivy e Columvi/Lunsumio) e hemofilia A (Hemlibra).
Segundo Graham, cerca de 60% dos produtos em desenvolvimento e das vendas da Roche vêm de parcerias. A companhia espera registrar até três novas NMEs em 2026. Em oncologia, o principal destaque é o giredestrant, um SERD de nova geração em Fase III para câncer de mama inicial e metastático. A combinação com everolimus já está em pré-registro nos EUA, com submissão à EMA prevista para 2026.
A Roche acredita que o giredestrant pode substituir a terapia endócrina padrão no câncer de mama RE+ e ser combinado com inibidores da via PI3K/AKT/mTOR. O ativo é complementado por outros candidatos estratégicos, como o Itovebi (PI3K), o GDC-4198 (CDK4/2) e o ZN-1041 (HER2 com penetração no SNC). Resultados-chave de Fase III com giredestrant e Itovebi são esperados para 2026.
Segundo a GlobalData, o giredestrant pode atingir US$ 1,7 bilhão em vendas em 2031, em um mercado de SERDs altamente competitivo, que inclui camizestrant (AstraZeneca) e palazestrant (Olema). A Roche aposta na diferenciação clínica e em combinações próprias para garantir liderança no segmento HER2-/HR+.
Entre os próximos marcos regulatórios estão a possível aprovação da combinação Lunsumio + Polivy em DLBCL nos EUA e os resultados de Fase III com o inibidor de KRAS G12C, divarasib, além da expansão de Lunsumio no linfoma folicular.
Na hemofilia A, o NXT007, anticorpo biespecífico licenciado da Chugai, é visto como potencial blockbuster, com projeção de US$ 760 milhões em vendas em 2031.
Graham afirmou que a Roche confia no crescimento do portfólio atual até 2028, no impacto dos lançamentos a partir de 2026 e na força do pipeline em oncologia, hematologia, imunologia, neurologia e oftalmologia. A empresa também quer se posicionar entre os três maiores players em obesidade, com cinco novos medicamentos planejados.
Fonte: Clinical Trials Arena