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Welireg emerge como peça-chave na estratégia oncológica da Merck

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O tratamento do carcinoma de células renais de células claras (ccRCC) pode estar à beira de uma mudança relevante após novos resultados do programa clínico Litespark, da Merck & Co., com o Welireg (belzutifano). Dados apresentados no Simpósio de Cânceres Geniturinários da American Society of Clinical Oncology (ASCO) de 2026 indicam que a combinação do fármaco com terapias já estabelecidas melhora desfechos tanto em doença avançada quanto no cenário adjuvante.

No estudo Litespark-011, que avaliou pacientes com ccRCC avançado cuja doença progrediu após imunoterapia prévia, a combinação de Welireg com Lenvima (lenvatinibe), desenvolvido em parceria com a Eisai, reduziu em 30% o risco de progressão ou morte em comparação com Cabometyx (cabozantinibe), da Exelixis. Segundo o pesquisador Robert Motzer, do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, trata-se do primeiro estudo de fase 3 em cenário pós-imunoterapia no câncer renal a demonstrar superioridade frente a um inibidor contemporâneo de VEGFR.

Já no estudo Litespark-022, conduzido em pacientes submetidos à cirurgia com alto risco de recorrência, a adição de Welireg ao Keytruda (pembrolizumabe) reduziu em 28% o risco de retorno do câncer em comparação com o uso isolado do anti-PD-1. A principal investigadora, Toni Choueiri, do Dana-Farber Cancer Institute, destacou que é o primeiro ensaio adjuvante a demonstrar benefício de uma combinação frente à monoterapia anti-PD-1 nesse contexto, com resultados consistentes em diferentes subgrupos, incluindo níveis variados de expressão de PD-L1.

Apesar dos dados positivos, ainda não há comprovação estatisticamente significativa de benefício em sobrevida global (SG), considerada o padrão-ouro em oncologia. No Litespark-011, a análise interina mostrou uma redução preliminar de 15% no risco de morte com o regime combinado, mas sem atingir significância estatística. O estudo segue em andamento para análise final. No Litespark-022, os dados iniciais também favoreceram a combinação, com redução de 22% no risco de morte, embora apenas 87 óbitos tenham ocorrido até o momento, número insuficiente para conclusões definitivas.

Em relação à segurança, os perfis de eventos adversos variaram entre os grupos. No cenário metastático, anemia, proteinúria, hipóxia e disfunção cardíaca foram mais frequentes com a combinação Welireg-Lenvima, enquanto diarreia e síndrome mão-pé foram mais comuns com Cabometyx. Ainda assim, a taxa de eventos adversos de grau 3 ou superior foi semelhante entre os braços (84% vs. 83%). No contexto adjuvante, eventos graves ocorreram em 52% dos pacientes tratados com Welireg-Keytruda, ante 30% com Keytruda isolado, embora as taxas de descontinuação tenham sido relativamente próximas (10% vs. 7%).

Especialistas consideram os resultados encorajadores, mas ressaltam a necessidade de dados maduros de sobrevida global para consolidar os regimes como novo padrão de tratamento. Ainda assim, a FDA já aceitou os pedidos regulatórios da Merck para ambas as indicações, com submissões adicionais em andamento em outros mercados.

O Welireg é o primeiro medicamento direcionado ao fator induzível por hipóxia-2 alfa (HIF-2α), um alvo biológico relevante no câncer renal. Para a Merck, o avanço pode ajudar a diversificar o portfólio oncológico diante da futura perda de exclusividade do Keytruda, embora o ativo ainda não represente seu principal projeto estratégico na área.

Fonte: FiercePharma